Governo anuncia mutirão para prender mil agressores de mulheres no Brasil

A poucos dias do Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, o Comitê do Pacto Brasil entre os Três Poderes apresentou nesta quarta-feira (4) um plano de ações para combater o feminicídio no país.

Entre as medidas previstas está a realização de um mutirão nacional para cumprir cerca de mil mandados de prisão contra agressores, que ainda estão em liberdade em diferentes regiões do Brasil.

Governo anuncia mutirão nacional para prender cerca de mil agressores – Foto: Ricardo Stuckert / PR.

O mutirão será coordenado em todo o país pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em parceria com as forças de segurança dos estados.

As ações foram anunciadas durante o seminário Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres, realizado no Palácio do Planalto, em Brasília. O evento foi organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, conhecido como Conselhão, e pelo Ministério das Mulheres. Participaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de ministras como Márcia Lopes (Mulheres) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), entre outras autoridades e representantes da sociedade civil.

Entre os convidados estava a ativista Maria da Penha Maia Fernandes, que ficou conhecida após sobreviver a duas tentativas de feminicídio e lutar para que seu agressor fosse condenado. O caso deu origem à Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), principal legislação brasileira de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher.

Segundo o governo, o plano será atualizado constantemente e tem três prioridades principais: agilizar a concessão de medidas protetivas e a punição dos agressores, fortalecer a rede de apoio às mulheres vítimas de violência e promover mudanças culturais para reduzir a violência contra mulheres no país.

Criado há cerca de um mês, o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio reúne ações conjuntas dos Três Poderes para prevenir a violência contra meninas e mulheres. A iniciativa parte do entendimento de que o problema é estrutural e precisa ser enfrentado com políticas integradas.

Monitoramento de agressores

Além do cumprimento dos mandados de prisão, o pacto prevê a implantação de sistemas de rastreamento eletrônico para agressores que tenham vítimas protegidas por medidas judiciais. Também será criado o Centro Integrado Mulher Segura, que vai reunir dados e acompanhar casos de violência.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fará um diagnóstico sobre o funcionamento das medidas protetivas no país. Já o Ministério das Mulheres vai implementar protocolos para registro e investigação de feminicídios e ampliar o atendimento às vítimas.

Outra medida é a entrega de 52 unidades móveis das Salas Lilás Itinerantes, espaços destinados ao acolhimento e atendimento de mulheres em situação de violência.

O governo também anunciou a abertura de novas unidades da Casa da Mulher Brasileira (CMB), sendo duas ainda neste mês e outras duas no segundo semestre. Além disso, pelo menos seis Centros de Referência da Mulher Brasileira devem ser inaugurados ao longo do ano.

Na área da saúde, o Ministério da Saúde prevê realizar cerca de 4,7 milhões de atendimentos psicológicos para mulheres vítimas de violência ao longo de 2026.

O comitê também informou que será realizada uma reunião com secretários estaduais de Segurança Pública para discutir melhorias no atendimento às vítimas. Entre as propostas estão o fortalecimento das delegacias especializadas da mulher, a criação de salas de atendimento reservadas e funcionamento 24 horas, além de capacitação dos agentes de segurança.

Outra ação prevista é uma campanha de conscientização voltada aos homens sobre a violência contra mulheres.

O governo também pretende solicitar à Organização Mundial da Saúde (OMS) a criação de um código específico para feminicídio na Classificação Internacional de Doenças (CID). A ideia é incluir essa informação nos atestados de óbito para melhorar o monitoramento e a prevenção dos casos.

Também será ampliada a divulgação do ‘ZAP Delas’, canal de orientação e acolhimento para mulheres em cargos públicos, candidatas, servidoras e vítimas de violência política de gênero.

Como pedir ajuda

Mulheres em situação de violência podem ligar gratuitamente para o 180. O serviço oferece orientação, acolhimento e encaminhamento de denúncias.

O atendimento funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados, e também pode ser feito pelo WhatsApp no número (61) 99610-0180.

Em casos de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

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