Gerson Palermo retorna a Campo Grande seis anos após fuga misteriosa

O narcotraficante Gerson Palermo desembarcou no Aeroporto Internacional de Campo Grande por volta das 17h10 desta quarta-feira (27), sob forte esquema de segurança. A chegada marca o retorno à Capital seis anos após a fuga misteriosa que o colocou na lista dos criminosos mais procurados do mundo. O voo da Bolívia até a Capital, em uma aeronave da Polícia Federal, durou cerca de cinco horas.

Ainda não há confirmação sobre para qual unidade prisional ele será levado, mas a expectativa é de que Palermo seja encaminhado para uma das celas da Penitenciária Federal de Campo Grande, na região do Jardim Los Angeles. A Polícia Federal formalizou o pedido de vaga no sistema prisional da Capital e Palermo deve passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (28).

Equipes da Polícia Federal receberam o narcotraficante no Aeroporto de Campo Grande (Foto: PF/MS)

Esquema de segurança

Palermo foi preso na manhã desta terça-feira (26), na cidade de Santa Cruz de La Sierra, no país vizinho.  Para trazer o narcotraficante ao Brasil, foi montado um grande esquema de segurança desde a prisão. Palermo seria trazido de volta ao país por via terrestre, mas manifestações políticas que ocorrem na Bolívia causaram o bloqueio de diversos pontos da rodovia. 

Por isso, um avião da Polícia Federal saiu de Brasília e pousou no aeroporto de Viru Viru. Lá, a polícia boliviana escoltou o brasileiro até a aeronave, que decolou às 12h (horário da Bolívia). A chegada na capital sul-mato-grossense ocorreu pouco depois das 17h (horário de Mato Grosso do Sul).

No terminal viário, diversos agentes da Polícia Penal Federal aguardavam a chegada de Gerson, que será levado para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima em Campo Grande, conforme apurado pela reportagem.

Prisão

Segundo a Polícia Federal (PF), os policiais bolivianos localizaram Palermo com base nas informações repassadas pelas equipes brasileiras.

“Foi um trabalho de inteligência, um trabalho de monitoramento realizado pela Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico. Em virtude disso, conseguiu-se a prisão deste indivíduo e, como eu disse, já está em processo de expulsão do nosso país”, disse o Coronel David Gómez.

Gerson Palermo aguardou o processo de expulsão e transferência para o Brasil na sede da Interpol em Santa Cruz de la Sierra.

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Gerson Palermo foi preso pela na Bolívia, nesta terça-feira (Foto: divulgação/polícia boliviana)

Vida na Bolívia

Em entrevista, o coronel David Gómez, comandante departamental de Santa Cruz, afirmou que Gerson Palermo não responde a nenhum processo na Bolívia. No entanto, também é investigado lá por envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

“De acordo com a informação preliminar que se tem, ele não teria nenhum processo [na Bolívia]. Mas sim, este sujeito estava se escondendo, estava fugindo da justiça brasileira no nosso departamento. A investigação que está sendo realizada é em virtude também do nosso plano da Operação Halcón contra o crime organizado. É um plano que, como tínhamos indicado anteriormente, é de caráter estrutural”, disse o Coronel David Gómez.

Segundo o coronel, a operação foi realizada em duas frentes: a primeira de policiamento permanente e a segunda de ações investigativas. “Criamos grupos de investigação em todas as áreas para gerar e poder alcançar a prisão de pessoas que se dedicam ao crime organizado. E o resultado é este, com a prisão de um indivíduo de nacionalidade brasileira que tem relação com o PCC”.

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Foto: FELCN

Histórico de Gerson Palermo

Gerson Palermo, de 68 anos, é conhecido pelo histórico de crimes ligados ao tráfico de drogas e assalto a bancos, mas ele ganhou notoriedade ao sequestrar um avião da Vasp em 2000.

Segundo a polícia, ele foi o cabeça do plano que desviou a aeronave da rota para Porecatu (PR) com o objetivo de roubar R$ 5,5 milhões em malotes bancários. Pelo crime, foi condenado a 59 anos de prisão.

A sentença somou a uma condenação antiga por tráfico e transformou a pena em 126 anos.

Palermo começou a cumprir a pena, mas, em abril de 2020, ganhou o benefício da prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica, e, em menos de cinco horas “na rua”, rompeu o equipamento e fugiu. Desde então era procurado e, recentemente, foi incluído na lista dos principais criminosos do país, o Programa Captura.

A soltura do narcotraficante

Em abril de 2020, o país enfrentava a pandemia de coronavírus, e a ordem era que presos idosos e com comorbidades cumprissem regime domiciliar. Gerson Palermo não se enquadrava nas regras; mesmo assim, a defesa pediu e, em um plantão de feriado de Tiradentes, o então desembargador Divoncir Maran concedeu o benefício.

Palermo saiu da prisão, se livrou do monitoramento e fugiu.

Em abril de 2024, Divoncir Maran se tornou alvo da Polícia Federal sob suspeita de ter recebido propina para liberar o narcotraficante. Diante dos indícios de corrupção, o desembargador foi punido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com aposentadoria compulsória.

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