Garimpo ilegal ameaça rio usado para abastecer cidade de MT, diz promotor

Uma operação contra o garimpo ilegal na região de Guarantã do Norte, a cerca de 800 quilômetros de Cuiabá, revelou que novas balsas estavam sendo construídas para possivelmente ampliar a extração clandestina de ouro. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), os investigadores identificaram uma espécie de porto onde pelo menos cinco ou seis embarcações estavam em fabricação. A descoberta ocorreu durante uma ação que cumpriu 28 mandados e resultou na destruição de estruturas utilizadas na mineração irregular.

A operação foi realizada pelo Ministério Público, com apoio das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros. O alvo das investigações é a exploração ilegal de ouro nos rios Braço Norte e Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso.

Operação realizada pelo Ministério Público, com apoio das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros, contra garimpo ilegal no Rio Peixoto. – Foto: PJC/MT

Imagens registradas durante a ação mostram balsas sendo incendiadas por determinação judicial. A destruição das estruturas tem como objetivo impedir que os equipamentos sejam reutilizados pelos garimpeiros após a saída das equipes de fiscalização.

Nas embarcações, os agentes encontraram equipamentos utilizados para revolver o fundo dos rios em busca de ouro. Segundo os investigadores, a atividade vinha provocando alterações no leito dos cursos d’água e danos às margens.

Investigadores encontram novas balsas em construção

Um dos pontos que mais chamaram a atenção das autoridades foi a velocidade de expansão da atividade clandestina.

De acordo com o promotor de Justiça Marcelo Mantovanni Beato, a quantidade de embarcações identificadas aumentou em relação ao levantamento anterior. Além disso, os agentes encontraram uma área utilizada para a construção de novas balsas.

“Nós conseguimos identificar alguma espécie de porto onde essas embarcações estavam sendo feitas. Podemos identificar ali pelo menos mais cinco ou seis embarcações que já estavam sendo confeccionadas, muito provavelmente para continuar operando naquele local”, relatou o promotor.

Morte garimpo
Barranco em garimpo de Peixoto de Azevedo. – Foto: Divulgação

Segundo ele, a descoberta reforçou a necessidade de uma intervenção urgente para impedir a continuidade da exploração ilegal.

O Ministério Público também identificou alterações no próprio leito do rio, que podem comprometer a navegação na região.

Garimpo pode ameaçar abastecimento de água

Além dos danos ambientais, a investigação aponta possíveis riscos à população que utiliza os rios da região.

O Rio Braço Norte é frequentado por moradores de Guarantã do Norte, especialmente nos fins de semana, para atividades de lazer. Suas águas também alimentam o Rio Peixoto de Azevedo, relacionado ao abastecimento da cidade de Peixoto de Azevedo.

Segundo o promotor, a exploração mineral sem licenciamento representa um risco social e ambiental, principalmente pela possibilidade de comprometimento da qualidade da água.

“Existe uma grande quantidade de pessoas que frequentam o Rio Braço Norte. É um rio muito popular aqui em Guarantã do Norte e é muito comum que as pessoas, com suas famílias, procurem momentos de lazer à beira desse rio”, afirmou.

As autoridades investigam a suspeita de contaminação por mercúrio e outras substâncias tóxicas associadas à atividade garimpeira. Amostras de água e solo deverão ser coletadas para análise.

Até o momento, não há confirmação de contaminação, e os resultados dos exames ainda não foram apresentados.

Balsas usadas em garimpo foram denunciadas nos rios Peixoto e Braço Norte, em MT. – Foto: Reprodução
Balsas usadas em garimpo foram denunciadas nos rios Peixoto e Braço Norte, em MT. – Foto: Reprodução

Desmatamento e erosão nas margens dos rios

De acordo com a Delegacia Especializada de Meio Ambiente, o uso de dragas e outros equipamentos de mineração provocou desmatamento da mata ciliar, erosão e destruição das margens dos rios.

A retirada irregular de sedimentos também altera as características naturais dos cursos d’água, podendo afetar a fauna, a flora e as condições de navegação.

Os investigadores trabalham agora para identificar os responsáveis pelo financiamento da atividade clandestina, além das pessoas diretamente envolvidas na operação das balsas.

O promotor Marcelo Mantovanni Beato ressaltou que a investigação não tem como objetivo impedir a mineração legalizada, mas combater a exploração realizada sem autorização ambiental.

“A atividade mineral é importante para a região e não se discute isso. Agora, o que é preciso é encontrar um equilíbrio entre a exploração minerária e a preservação do meio ambiente”, declarou.

As investigações e as ações de fiscalização devem continuar nos próximos dias, com novas diligências para identificar os envolvidos e dimensionar os danos ambientais provocados pelo garimpo ilegal.

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