Frete de grãos segue elevado no país mesmo com queda em parte das rotas

Os fretes agrícolas seguem em patamar elevado no Brasil, mesmo com quedas registradas em parte das principais rotas de escoamento de grãos em agosto.

O comportamento variou entre os estados, influenciado pelo ritmo da colheita, demanda por caminhões, destino da produção e movimentação das exportações.

De janeiro a agosto de 2026, o país exportou 92,7 milhões de toneladas de soja, cerca de 7% a mais que no mesmo período do ano passado. Já os embarques de milho somaram 14,5 milhões de toneladas, com queda de aproximadamente 8% na comparação anual.

Fretes agrícolas seguem em patamar elevado no Brasil. – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O cenário consta no Boletim Logístico de setembro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que acompanha as principais rotas de transporte agrícola em dez estados.

Em Goiás, por exemplo, algumas tarifas subiram com a maior procura por sorgo destinado a indústrias de ração em Minas Gerais. Entre Catalão e Araguari, o aumento chegou a 22,9% em agosto.

Na Bahia, houve valorização na maioria dos trajetos monitorados, enquanto o Maranhão registrou redução no movimento de cargas após uma concentração maior do escoamento da soja no primeiro semestre.

São Paulo ficou próximo da estabilidade. Já Minas Gerais teve maior procura por transporte com o avanço da colheita do café.

MT: milho mantém procura por caminhões

Em Mato Grosso, os fretes caíram em várias rotas, mas permaneceram firmes para o período.

Segundo a Conab, agosto normalmente registra reduções mais expressivas. Desta vez, porém, os valores ficaram próximos da estabilidade.

Um dos principais motivos é o mercado do milho. O cereal acumula valorização superior a 20% desde a colheita, o que estimulou novas negociações e aumentou a procura pelo transporte rodoviário.

milho grao conab
Embarque da produção de milho continua sendo feito. – Foto: reprodução

Mato Grosso também colheu mais de 57 milhões de toneladas de milho, volume recorde que ainda precisa ser escoado antes da próxima safra de soja.

Além das exportações, o consumo interno ganhou força. As usinas de etanol devem utilizar mais de 16 milhões de toneladas do cereal nesta temporada, além da demanda para alimentação animal.

Entre as rotas pesquisadas, o frete de Sorriso para Santos caiu de R$ 500 para R$ 490 por tonelada entre julho e agosto, mas ainda ficou 6,5% acima do valor registrado um ano antes.

De Primavera do Leste para Paranaguá, a tarifa recuou de R$ 410 para R$ 400, porém permanece 11,1% maior na comparação anual.

Já de Campo Novo do Parecis para Porto Velho, o valor ficou estável em R$ 290 por tonelada e acumula alta de 16% em relação a agosto de 2025.

MS: maioria das rotas tem queda ou estabilidade

Em Mato Grosso do Sul, predominou um movimento de acomodação dos preços, com recuos e estabilidade na maior parte dos corredores analisados.

Mesmo com o avanço da colheita do milho segunda safra, não houve pressão generalizada sobre o transporte.

Até 28 de agosto, cerca de 87% da área de milho já havia sido colhida. Em algumas regiões, houve filas em silos e unidades armazenadoras, mas o impacto nos fretes foi localizado.

acidente BR 364
Demanda por frente continua alta. – Foto: reprodução

Além das exportações, parte do cereal é destinada ao mercado interno, principalmente à alimentação animal, processamento industrial e produção de etanol.

Em agosto, Mato Grosso do Sul exportou 548,1 mil toneladas de soja e 100,1 mil toneladas de milho, totalizando 648,2 mil toneladas.

Os principais portos usados para o escoamento foram Paranaguá, São Francisco do Sul e Santos.

Entre os trajetos pesquisados, o frete de Chapadão do Sul para o Guarujá caiu 9,4% em relação a julho, de R$ 320 para R$ 290 por tonelada.

Já a rota de Maracaju para Paranaguá teve alta de 7,1%, passando de R$ 266 para R$ 285. De Dourados para Paranaguá, o valor ficou estável em R$ 248.

Arco Norte lidera embarques de milho e soja

No comércio exterior, os portos do Arco Norte responderam por 48,98% das exportações brasileiras de milho entre janeiro e agosto. Santos ficou com 27,08% dos embarques.

Na soja, o Arco Norte também liderou, com 38,85% do total, seguido por Santos, com 34,42%.

O Porto de Santos concentrou ainda 44,02% das exportações de farelo de soja, que chegaram a 17,3 milhões de toneladas no período.

  1. Indígenas enfrentaram até 9 horas de barco para votar no Parque do Xingu

  2. 2ª semana de outubro terá temporais espalhados pelo Brasil

  3. Quem são os novos donos das 594 cadeiras do Congresso Nacional; veja o perfil dos eleitos

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia