Extremos climáticos já afetam produção de alimentos no Brasil e exigem adaptação imediata

As mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação para o futuro e já impactam diretamente a produção de alimentos, a disponibilidade de água e os custos da agricultura. O tema foi debatido no podcast Agro de Primeira, apresentado por Edevaldo Nascimento, que recebeu o pesquisador Higo José Dalmagro, doutor em Física Ambiental, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Uniderp e professor permanente dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Unic. (Assista ao episódio completo no YouTube acima ou clique no link abaixo para ouvir no Spotify.)

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Durante a entrevista, o especialista explicou como o aumento da concentração de gases de efeito estufa tem alterado o equilíbrio climático do planeta, provocando eventos extremos mais frequentes e intensos, como secas prolongadas, ondas de calor e chuvas volumosas.

“Eventos de seca, de chuva que eram naturais, que sempre aconteceram e vão continuar acontecendo, estão vindo com uma frequência maior e com uma intensidade maior, porque esse fundo está sendo aumentado ano após ano”, afirmou.

Ondas de calor mais frequentes, secas prolongadas e temporais intensos estão entre os principais reflexos. (Foto: Gabi Braz)

Amazônia e rios voadores são fundamentais

Um dos principais pontos abordados no episódio foi a importância da Amazônia para a manutenção do regime de chuvas em grande parte do território nacional. O pesquisador destacou o papel dos chamados rios voadores, responsáveis por transportar a umidade da floresta para regiões produtoras do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.

De acordo com ele, a preservação da floresta amazônica é estratégica para a segurança hídrica e alimentar do Brasil, especialmente em um cenário de crescimento da demanda global por alimentos.

Rios voadores são essenciais para levar chuva ao Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. (Foto: Mário Oliveira/MTUR)
Rios voadores são essenciais para levar chuva ao Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. (Foto: Mário Oliveira/MTUR)

Ao mesmo tempo, Higo ressalta que o país tem condições de ampliar sua produção agrícola sem avançar sobre novas áreas de vegetação nativa. Entre as alternativas, ele citou a recuperação de pastagens degradadas, a integração lavoura-pecuária-floresta e outras tecnologias capazes de aumentar a produtividade de forma sustentável.

Ciência e inovação podem reduzir os impactos climáticos

Para o pesquisador, compreender as mudanças climáticas vai muito além de observar o aumento das temperaturas.

O desafio está nas transformações que afetam o ciclo da água, a geração de energia, a conservação dos recursos naturais e a produção de alimentos, reforçando a necessidade de aproximar a ciência da sociedade e ampliar o debate sobre soluções sustentáveis para o futuro.

“Eu sou otimista porque acho que a gente tem tecnologia, a gente tem capacidade, tem muita pesquisa que dá esse caminho tanto da adaptação quanto da mitigação dessas mudanças”, destacou.

Higo José Dalmagro falou ao Agro de Primeira sobre os impactos das mudanças climáticas no agro, na água e na produção de alimentos. (Foto: Fernando da Mata)
Higo José Dalmagro falou ao Agro de Primeira sobre os impactos das mudanças climáticas no agro, na água e na produção de alimentos. (Foto: Fernando da Mata)

Durante o bate-papo, Higo José Dalmagro também comentou os efeitos do El Niño, os impactos das secas e incêndios no Pantanal e os riscos que a perda de biodiversidade representa para o equilíbrio dos ecossistemas.

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