Excesso de chuvas trava colheita da soja e preocupa produtores em MT

O grande volume de chuvas registrado nas últimas semanas em Mato Grosso tem provocado impactos no ritmo das principais atividades no campo. O excesso de precipitações têm atrasado a colheita da soja e dificultado a semeadura do milho segunda safra, o que preocupa produtores, já que pode comprometer parte da área dentro da janela ideal de plantio.

De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita da soja da safra 2025/26 alcançou 78,34% da área prevista até o fim de fevereiro, mas segue atrasada em razão das chuvas registradas em diversas regiões do estado.

Mesmo com o excesso de chuvas e o atraso na colheita, o Imea segue com a previsão da maior safra de soja da série histórica. – Foto: Rodolfo Perdigão/Secom

Ao mesmo tempo, o avanço da semeadura do milho safrinha também vem sendo impactado. Na última semana de fevereiro, o plantio atingiu 81,93% da área estimada. Ainda assim, o ritmo permanece 3,02 pontos porcentuais abaixo do observado no mesmo período da safra passada.

Segundo o instituto, as precipitações têm dificultado a entrada de máquinas nas lavouras, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste do estado, o que limita as operações em campo e aumenta a preocupação com o encerramento da janela ideal para o cultivo do milho.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam para um cenário com excesso de umidade no estado. Entre os dias 4 e 8 de março de 2026, os totais de chuva ultrapassaram os 100 milímetros no norte mato-grossense, influenciados por um canal de umidade vindo da Amazônia. 

Entre os maiores acumulados registrados no período estão as estações meteorológicas de Sapezal (MT) e Brasnorte (MT), ambas com 134,8 milímetros, além de Cocalinho (MT), que registrou 113,8 milímetros de chuva.

Cenário no campo

Em propriedades rurais, o cenário já se traduz em mudanças no planejamento produtivo. Em Diamantino (MT), o produtor rural Mário Zortéa Antunes, que já estava lidando com o atraso no plantio da soja, agora vê o problema se intensificar na colheita. 

“Nós plantamos soja em 2.600 hectares e colhemos em torno de 25%. Ainda temos bastante soja para colher. O complicado é que já viemos de um atraso no plantio e agora, na colheita, as chuvas acabaram atrasando as operações. Isso impacta principalmente na questão do milho safrinha”, relatou o produtor à TVCA. 

Segundo ele, o prolongamento da colheita da soja acaba empurrando o plantio do milho para uma janela menos favorável. O produtor afirma ainda que o atraso deste ano foge ao padrão observado em safras anteriores, com o grão ainda fora do ponto de colheita. 

produtor soja
Coma as chuvas, o produtor rural Mario já projeta mudar a estratégia para evitar mais perder. – Foto: TVCA

“O milho acaba ficando comprometido porque a gente vai levando o plantio para uma janela que já não é a ideal. Nos outros anos essa área já estaria descascada, pronta para a coleta. Este ano realmente foi bastante atípico para a nossa região”, explicou o produtor.

Mudança de estratégia

Diante do risco de plantar o milho fora da janela ideal e perder produtividade, a alternativa encontrada foi alterar o planejamento da segunda safra. O produtor também estuda ampliar o cultivo de gergelim, cultura que não estava inicialmente prevista.

“O milho nessa área está descartado, porque o risco de perder a lavoura é muito alto. Vamos colocar braquiária para entrar com o gado na segunda safra. A gente esperava uma área maior de milho, mas vamos acabar aumentando um pouco a área de gergelim e também de braquiária”, completou o produtor. 

Apesar das dificuldades no campo, as chuvas tiveram um efeito positivo sobre o potencial produtivo da soja. O Imea projeta que a safra 2025/26 no estado pode atingir 51,41 milhões de toneladas, a maior produção da série histórica do instituto, impulsionada pela boa produtividade das lavouras.

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