Exames de laboratório do IML confirmam mais dois óbitos por metanol e Mato Grosso soma 7 vítimas

Subiu para sete o número de vidas perdidas em Mato Grosso em decorrência da contaminação de bebidas alcoólicas por álcool industrial.

Laudos de análises de sangue liberados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) atestaram a presença de metanol no organismo de mais dois jovens que faleceram no interior do Estado: uma mulher de 31 anos, em Novo Santo Antônio, e um rapaz de 23 anos, na cidade de Aripuanã.

O surto, que vem sendo monitorado pelas autoridades de saúde desde o ano passado, coloca o território mato-grossense no centro de uma emergência sanitária de apuração nacional.

Municípios afetados e atendimento médico

Além das vidas perdidas, ao menos seis moradores de Mato Grosso sobreviveram a episódios graves de envenenamento e precisaram de aplicação emergencial do antídoto na rede pública para conter sequelas.

As sete mortes atestadas cientificamente pelo órgão pericial até agora se espalham pelos seguintes municípios:

  • Querência: 2 vítimas (mulher de 37 anos e homem de 24 anos);

  • Aripuanã: 1 vítima (Kaio Samuel Mendes, 23 anos);

  • Novo Santo Antônio: 1 vítima (Ana Carolinne Gomes Carlos, 31 anos);

  • Itanhangá: 1 vítima (mulher, 42 anos);

  • Nova Brasilândia: 1 vítima (homem, 33 anos);

  • Várzea Grande: 1 vítima (mulher, 30 anos).

O avanço das contaminações levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a incluir Mato Grosso na lista das regiões brasileiras mais atingidas pelo mercado ilegal do solvente, ao lado de unidades federativas como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Uma fiscalização ordenada pela corte federal apontou gargalos na vigilância do país: pouca integração entre as polícias e fiscalizações, ações que só ocorrem depois que os doentes chegam aos hospitais e facilidade no desvio de lotes de metanol das indústrias para alambiques e fábricas clandestinas.

O risco químico e os sinais de alerta no corpo

Substância usada na fabricação de solventes e combustíveis, o metanol se transforma em toxinas letais quando absorvido pelo estômago, agredindo o nervo óptico e os órgãos vitais.

A Polícia Civil mantém buscas para retirar de circulação garrafas falsificadas. A recomendação expressa dos médicos para quem consumiu destilados de origem duvidosa é buscar o pronto-socorro imediatamente ao notar:

  1. Visão embaçada, dupla ou perda repentina de nitidez;

  2. Dores fortes na região do abdômen, enjoo e vômitos;

  3. Tonturas intensas e sensação de falta de ar.

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