Especialistas alertam para os riscos da espera por exames de mama enquanto milhares aguardam na regulação do SUS

12.738 mulheres aguardam exames relacionados ao rastreamento do câncer de mama no Mato Grosso pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES), disponíveis no Portal Transparência Regulação SUS, mostram que a maior fila é para ultrassonografia mamária bilateral.

Ao todo, são 9.314 solicitações desse exame. A fila também reúne 2.233 mulheres à espera de mamografia bilateral, 62 por punção de mama e três por biópsia de nódulo mamário.

Os registros da regulação estadual indicam ainda que algumas solicitações permanecem aguardando atendimento desde 2020. Para o mastologista Luis Fernando Barros, o intervalo entre a investigação, o diagnóstico e o início do tratamento pode interferir na evolução da doença.

Segundo o especialista, o diagnóstico precoce é fundamental e, conforme as características de cada câncer, as chances de cura podem chegar a 98% quando a doença é identificada e tratada precocemente. Após a confirmação, ele afirma que o tratamento deve começar o mais rapidamente possível, considerando o quadro clínico da paciente.

A moradora de Várzea Grande Raiany Júlia Curvo, de 30 anos, decidiu buscar atendimento fora da rede pública diante da demora. Ela iniciou o tratamento em março de 2024, passou por quimioterapia, radioterapia e cirurgia com colocação de prótese e entrou em remissão em 2025. Atualmente, permanece em acompanhamento.

Raiany percebeu um nódulo durante o banho e começou a buscar o diagnóstico. Para acelerar exames e consultas, fez vaquinhas e rifas e recebeu apoio da associação MTmamma. Os gastos ultrapassaram R$ 20 mil. “Eu tentei fazer os exames pelo SUS, mas o processo estava demorando. Então, eu paguei no particular para conseguir agilizar”, relatou.

Ela também contou que foi chamada para realizar uma tomografia quando já estava na quarta sessão de quimioterapia. Segundo Raiany, a espera seria de três meses antes do início do tratamento. “Então, se eu esperasse, talvez a minha história tivesse um desfecho negativo”, afirmou.

Apesar de ter conseguido custear parte dos procedimentos, Raiany ainda não realizou o exame PET Scan. Na rede particular, segundo ela, o custo varia entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, valor que atualmente não consegue pagar. “Eu acredito no SUS e sei da importância dele, mas ele tem falhas e não funciona como deveria. O diagnóstico de câncer traz uma urgência e os pacientes não podem simplesmente esperar”, declarou.

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