Erro em reconhecimento por foto leva à absolvição de tesoureiro do Comando Vermelho em MT

Apontado como uma das principais chefes e tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso, Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como W.T., foi absolvido da acusação de participar de um assalto a uma loja de eletrodomésticos em Sorriso (MT). A decisão foi assinada nesta quinta-feira (15), após a Justiça identificar que fotografias de suspeitos foram apresentadas com nomes trocados durante a investigação policial.

W.T. possui condenações que somam mais de 30 anos de prisão em outros processos e também é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema milionário de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas ligado à facção criminosa.

Paulo Witer Farias Paelo, o “WT”, foi absolvido após erro em reconhecimento fotográfico. – Foto: Divulgação

A absolvição foi determinada pelo juiz Arthur Moreira Pedreira de Albuquerque, da 2ª Vara Criminal de Sorriso, que considerou insuficientes as provas apresentadas para comprovar a participação do acusado no roubo à uma loja de eletrodomésticos.

Segundo a sentença, embora o crime tenha sido comprovado, a investigação apresentou falhas que comprometeram a identificação dos envolvidos. Entre elas, estava um reconhecimento fotográfico em que a imagem atribuída a Paulo Witer pertencia, na realidade, a outra pessoa.

Fotografias de suspeitos foram trocadas

De acordo com a decisão, a Polícia Civil apresentou fotografias de possíveis envolvidos às vítimas do assalto, mas não seguiu as regras previstas no Código de Processo Penal para o reconhecimento de suspeitos.

A Justiça constatou que a fotografia de número 1, identificada com o nome de Paulo Witer, não correspondia ao acusado. A imagem verdadeira dele estava na posição de número 3, identificada como sendo de outro suspeito.

Além disso, algumas testemunhas afirmaram não se lembrar de ter realizado o procedimento de reconhecimento fotográfico na delegacia.

O magistrado também destacou que os nomes dos suspeitos estavam escritos nas fotografias exibidas às vítimas, circunstância que contribuiu para as inconsistências identificadas no processo. Diante das irregularidades, o juiz declarou nulo o reconhecimento fotográfico e determinou sua retirada dos autos.

Assalto aconteceu durante horário de almoço

Conforme os depoimentos apresentados à Justiça, o assalto ocorreu quando funcionários estavam saindo para o horário de almoço. Um dos criminosos rendeu um funcionário e exigiu acesso ao cofre do estabelecimento. Ao mesmo tempo, outros integrantes do grupo teriam entrado pelos fundos da loja para roubar aparelhos celulares.

Paulo Witer Farias Paelo, o “WT”, foi absolvido após erro em reconhecimento fotográfico. - Foto: Divulgação
Paulo Witer Farias Paelo, o “WT”, foi absolvido após erro em reconhecimento fotográfico. – Foto: Divulgação

Uma testemunha contou que um dos suspeitos estava armado e anunciou o assalto. Após recolherem os celulares, os envolvidos fugiram em uma motocicleta Honda XRE.

Durante as investigações, uma mochila encontrada em outro local, contendo dois aparelhos celulares e uma nota fiscal em nome de W.T., foi utilizada como elemento para associá-lo ao crime. O documento indicava que um dos aparelhos havia sido comprado na loja um dia antes do assalto.

Entretanto, a Justiça também encontrou contradições nas declarações das testemunhas sobre as compras realizadas pelos suspeitos. Os relatos sobre quem teria comprado um celular e uma sanduicheira não correspondiam às informações registradas nas notas fiscais.

Para o magistrado, as inconsistências, somadas ao reconhecimento fotográfico irregular, impediram a comprovação da autoria do roubo.

Com isso, a denúncia apresentada pelo Ministério Público foi julgada improcedente, e W.T. foi absolvido por insuficiência de provas, conforme o artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal.

A decisão ainda pode ser alvo de recurso.

Quem é W.T., apontado como liderança do Comando Vermelho?

Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como W.T., é apontado pelas investigações policiais como uma das principais chefes e tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Ele está preso desde abril de 2024 e possui condenações que somam mais de 30 anos e sete meses de prisão. W.T. foi apontado como um dos principais articuladores de um esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas investigado na Operação Apito Final, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

As investigações identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 65 milhões, envolvendo negociações de imóveis, veículos de luxo e empresas utilizadas, segundo a polícia, para ocultar recursos de origem ilícita.

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