O plano para matar o advogado Roberto Zampieri começou antes da emboscada que terminou com sua morte, em dezembro de 2023. De acordo com o delegado Nilson Farias, responsável pelas investigações, o atirador Antônio Gomes da Silva tentou atrair a vítima para uma fazenda, onde a execução ocorreria longe de câmeras de segurança. O crime só não aconteceu naquele dia porque Zampieri enviou um amigo ao local em seu lugar. A informação foi revelada nesta terça-feira (28), durante o júri de três acusados pelo assassinato.
“Ele [Antônio] chegou a ir com amigos do Zampieri olhar uma terra, mas o objetivo era que o Zampieri fosse. Ele seria executado em área de fazenda, propícia a não ter câmeras. Mas acabou que Zampieri não foi. Ele pediu que um amigo fosse e o homicídio não ocorreu naquele dia”, explicou o delegado.
Ainda segundo a autoridade policial, amigos do advogado perceberam que Antônio ficou desapontado e teria demonstrado desinteresse na negociação da terra quando percebeu que Zampieri não iria naquele dia.

Executor monitorou rotina da vítima
Primeira testemunha a ser ouvida nesta terça-feira (28) no júri de três réus pela morte do advogado, o delegado Nilson Farias explicou que o nome de Antônio apareceu durante as investigações com relatos de familiares e pessoas que trabalhavam no escritório da vítima, ouvidas durante inquérito policial.
Segundo o delegado, as testemunhas teriam desconfiança sobre um homem que se identificava como Antônio, e queria conversar com o advogado sobre um suposto sobrinho que havia vendido terras no Texas, nos Estados Unidos, e com o dinheiro queria adquirir terras em Mato Grosso.
“Para eles, era um homem de bengala, que se mostrava inofensivo, não representava risco, para atrair a vítima”, disse o delegado.

Para a autoridade policial, o disfarce de Antônio seria para passar a impressão de uma pessoa frágil. Ele chegou a usar o nome real e deixou o número de telefone, o que facilitou a polícia a chegar até ele.
Outro fato destacado pelo delegado é que Zampieri tinha um carro blindado, mas naquele dia, não utilizou o veículo e foi ao escritório em uma Fiat Toro. Na perícia, foram encontrados R$ 13 mil reais em notas dentro do veículo.
Ao abrir a porta do veículo, o delegado viu cair no chão o celular de Zampieri e notou que na tela apareciam notificações de mensagens em que um desembargador conversava com Zampieri.

Caixa usada no crime
Imagens de câmeras de segurança mostraram que, horas antes do crime, no dia 5 de dezembro de 2023, Antônio e Hedilerson, apontado como intermediário do crime, andaram em vários pontos da cidade com uma caixa.
O objeto foi encontrado horas depois da execução nas proximidades do escritório do advogado.
Segundo o delegado, a caixa teria sido utilizada para que, durante os disparos de arma de fogo, os estojos das cápsulas não caíssem no chão. Contudo, segundo o delegado, o nervosismo do atirador fez com que os objetos caíssem da mesma forma.

A intenção, para o delegado, seria dificultar eventual perícia que poderia ligar os estojos até a arma usada no crime, que pertencia a Hedilerson e havia sido transportada de Minas Gerais para Mato Grosso, sob justificativa de participar de um curso de tiros.
“A arma foi apreendida com Hedilerson. O exame de balística deu positivo, os disparos saíram daquela arma. Ele veio a Mato Grosso com a arma e despachou com a Polícia Federal e retirou em Cuiabá, com a desculpa de que queria fazer curso de tiro. Em depoimento o Hedilerson disse que o coronel Caçadini pediu para ele vir”, analisou.

Para o delegado, Antônio Gomes da Silva foi o responsável por efetuar os disparos que mataram Zampieri. Hedilerson Fialho Martins Barbosa, integrante do Exército Brasileiro e instrutor de tiro, teria sido o responsável por intermediar a ação criminosa, contratando o executor e entregando a arma utilizada no assassinato.

Já o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é apontado como o responsável por financiar a execução a mando do fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo.
Durante quebra de dados telefônicos, foram verificadas ligações na data do crime, antes e depois do fato, entre Antônio e Aníbal. Em consulta do PJE, o delegado verificou que Aníbal estava em processo de disputa de terras com Zampieri.
“Em outubro daquele ano, vimos no processo que Zampieri entrou com pedido de apresentação de provas, disputando uma fazenda de R$ 200 milhões. No dia no dia 9 de outubro, no celular de Caçadini, ele pesquisou o endereço do escritório do Zampieri”, exemplificou.
-
Acusado de financiar morte de Zampieri, coronel do Exército vai a júri em cadeira de rodas em Cuiabá
-
Coronel e outros dois acusados de matar Zampieri por disputa de R$ 100 milhões vão a júri nesta terça em Cuiabá
-
Júri da morte de advogado de MT que revelou suposto esquema de venda de sentenças terá 14 testemunhas; veja quem são
-
Casal e mais sete viram réus por execução de Zampieri; esposa de fazendeiro tem prisão preventiva suspensa