O candidato à Presidência da República, Augusto Cury (Avante), afirmou nesta quinta-feira (24), durante passagem por Cuiabá, que pretende priorizar medidas para reduzir o custo do crédito no agronegócio caso seja eleito. Em entrevista na capital, ele também defendeu um Estado mais enxuto, redução de impostos e responsabilidade fiscal.
Cury teve a candidatura, ao lado do vice Júlio Delgado, aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro.
A agenda em Cuiabá começou pela manhã na Casa Cury, comitê de campanha instalado no bairro Poção, onde o presidenciável concedeu entrevista coletiva. Depois, a programação previa uma visita ao Shopping Popular para conversar com comerciantes e empreendedores. A campanha havia alterado os horários inicialmente divulgados e marcado a coletiva para 9h30 e a ida ao centro comercial para 10h30.
Questionado pelo Primeira Página sobre qual proposta considera prioritária para o país e para Mato Grosso, Cury concentrou a resposta no agronegócio.
“Vir para Mato Grosso é como vir para a minha casa, porque eu sou do agro, respiro agro há mais ou menos três décadas”, afirmou.
O candidato disse que pretende ampliar o acesso dos produtores ao crédito e reduzir os juros cobrados no financiamento da atividade rural. Segundo Cury, o atual custo do dinheiro pressiona a rentabilidade das propriedades.
“Para o agro, o que nós temos que fazer é ter juros muito mais baratos, porque é quase insuportável o custeio”, declarou.

Durante a resposta, Cury citou inicialmente Mato Grosso do Sul ao falar da produção de grãos. Após ser corrigido pela reportagem, disse que se referia a Mato Grosso. Na sequência, afirmou que o estado é um dos responsáveis por sustentar parte importante da produção brasileira.
Críticas a adversários
Ao apresentar suas propostas para o setor, Cury também fez críticas a outros candidatos à Presidência. Ele afirmou que Ronaldo Caiado tem experiência ligada ao setor, mas, na avaliação dele, não apresentou um projeto agrícola semelhante ao que defende.
O candidato também criticou Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversários na disputa, ao questionar a experiência dos dois com agricultura e gestão empresarial. As declarações refletem a posição de Cury durante a campanha.
“Os demais, Flávio Bolsonaro e também Lula da Silva, nunca plantaram uma horta e querem definir o futuro da agricultura no Brasil”, disse.
Cury afirmou ainda que possui investimentos ligados à produção rural, citando projetos de cacau no Cerrado, silvicultura, grãos, mogno africano, seringueira e biotecnologia.
Estado mais enxuto e pauta social
Além do agronegócio, o presidenciável voltou a defender redução de despesas públicas e impostos.
“O Governo Federal tem que ser responsável fiscalmente. O Governo Federal tem que gastar muito menos do que arrecada, tem que ter um Estado mais enxuto”, afirmou.
A área econômica tem sido uma das pautas apresentadas pela campanha. Nesta semana, o assessor econômico de Cury, Luiz Carlos Hauly, afirmou que o programa prevê revisão de despesas, reformas administrativas e tributárias e medidas para buscar equilíbrio fiscal.
Na entrevista em Cuiabá, Cury também citou saúde mental, violência contra mulheres, jovens que não estudam nem trabalham e demora no atendimento especializado do SUS. O candidato disse que pretende combinar medidas econômicas associadas ao liberalismo com políticas sociais.
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