Documentos obtidos pelo Primeira Página revelam que o motorista Gabriel Dombski Welter recusou fazer o teste do bafômetro após o acidente que matou um menino de 4 anos e deixou outras duas pessoas feridas, em Sorriso. O registro da recusa consta no auto de infração lavrado pelos agentes de trânsito na madrugada de 12 do mês passado.
A informação contrasta com a versão apresentada pelo motorista, que negou ter ingerido bebida alcoólica. Apesar de um exame de sangue realizado horas depois não ter detectado álcool, a investigação reuniu vídeos de câmeras de segurança, imagens e depoimentos que, segundo o Ministério Público, comprovam que ele consumiu bebidas alcoólicas antes da colisão.
Entre as provas está o depoimento de uma funcionária de uma distribuidora de bebidas, que afirmou à Polícia Civil ter preparado um drinque de gim para Gabriel após ele pedir a mesma bebida consumida por um amigo. Imagens de outro estabelecimento também mostram o motorista ingerindo chope pouco antes do acidente, segundo a investigação.

Com base nas provas reunidas durante a investigação, o juiz Rafael Depra Panichella da 1ª Vara Criminal de Sorriso recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), tornando o motorista réu.
Com a decisão, Gabriel passa a responder por homicídio qualificado, pela morte da criança, e por duas tentativas de homicídio qualificado contra a mãe e o padrasto da vítima.
Por se tratar de crimes dolosos contra a vida, a ação penal seguirá o rito do Tribunal do Júri. Encerrada a fase de instrução, caberá ao Judiciário decidir se o acusado será pronunciado ou não e submetido a julgamento pelo Conselho de Sentença.
Motorista bebeu antes de dirigir e recusou bafômetro
O comprovante impresso do bafômetro (extrato do etilômetro) mostra que momentos após o acidente, Gabriel recusou fazer o teste, mesmo diante da negativa de que havia bebido.
O teste foi oferecido pela Guarda Municipal a ele às 01h45 da madrugada do dia 12 de julho, após a Land Rover que Gabriel dirigia colidir na traseira do Fiat Palio em que estava a família de Gabriel Gustavo, de 4 anos de idade, morto no acidente. A mãe da criança e o padrasto ficaram feridos.
A reportagem também obteve acesso a depoimentos de uma das trabalhadoras de distribuidora de bebida e bares em que Gabriel passou horas antes do acidente.
Para a Polícia Civil uma das funcionárias relatou que Gabriel perguntou a ela qual bebida um amigo estava tomando e pediu que fosse feito o mesmo drink que o amigo bebia. Um copo de gim foi entregue ao rapaz e o pagamento foi feito via Pix. Posteriormente Gabriel deixou o estabelecimento.
Um teste toxicológico chegou a ser feito com coleta de sangue do condutor, contudo, resultou deu negativo para consumo de álcool. O exame foi realizado somente no dia seguinte aos fatos.

Vídeos de câmeras de segurança de outro estabelecimento mostram Gabriel tomando chopp.
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o acusado teria assumido o risco de provocar o resultado morte ao conduzir um veículo de grande porte após ingerir bebida alcoólica, mesmo estando com o direito de dirigir suspenso.
A acusação sustenta ainda que ele trafegava em velocidade manifestamente excessiva quando colidiu violentamente na traseira do automóvel onde estavam as vítimas, que seguiam regularmente pela faixa da direita da via.
O MPMT apontou a incidência de três qualificadoras no caso: emprego de meio que resultou em perigo comum; recurso que dificultou a defesa das vítimas, uma vez que a colisão traseira teria ocorrido de forma repentina, sem possibilidade de reação; e em relação ao homicídio consumado, a acusação destaca a condição da vítima fatal, uma criança menor de 14 anos.
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público requereu à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 1 milhão, em razão da morte da criança e dos danos físicos, morais e psicológicos sofridos pelas vítimas e familiares.
Motorista negou ter bebido e não lembra da velocidade que dirigia
Em depoimento a Polícia Civil, Gabriel afirmou que não lembra a velocidade em que estava quando dirigia e que o carro da família estava sem sinalização adequada dos faróis traseiros. Além disso, ele afirmou que a rua estava escura. Ele também negou ter ingerido bebida alcóolica.
Contudo, imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos próximos ao local mostram que os faróis estavam acesos.
Outro lado
O Primeira Página entrou em contato com a defesa de Gabriel Dombski Welter, por meio do advogado Carlos Koch para uma manifestação ou posicionamento sobre os fatos.
O defensor avaliou que a denúncia do MPMT representa “excessos” acusatórios e se distancia dos elementos informativos colhidos durante a investigação do acidente. Além disso pontua que deve concentrar as manifestações no âmbito judicial.

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