Diesel caro mantém frete agropecuário em alta no país

O custo para transportar produtos agropecuários segue pressionado no Brasil, principalmente por causa do preço do diesel e de outros insumos logísticos. Mesmo com variações entre os estados, o frete rural continua em patamares elevados nas principais rotas analisadas, o que impacta diretamente o escoamento da produção de grãos e outros produtos do campo.

Segundo o Boletim Logístico de maio, divulgado pela Conab nessa sexta-feira (29), o cenário de custos altos impediu uma queda significativa no preço do transporte de cargas agropecuárias. A estatal aponta que as cotações seguem sustentadas, sobretudo, pelo combustível, que ainda é o principal fator de pressão sobre o valor pago pelos produtores e transportadores.

Preço do diesel pressiona o frete, segundo boletim da Conab – Foto: Ilustrativa/Reprodução.

Na comparação entre março e abril, os preços variaram conforme o andamento da colheita dos produtos de primeira safra. No entanto, em relação ao mesmo período do ano passado, os valores aparecem em níveis mais altos, reflexo do peso do diesel na composição do frete.

Apesar das medidas adotadas para reduzir o impacto da alta internacional do petróleo, como a isenção de impostos federais sobre o diesel, o alívio não foi suficiente para derrubar de forma expressiva os preços. A redução ajudou a amenizar reajustes, mas o transporte agropecuário continua caro em corredores importantes do país.

Em MT, frete fica estável

Em Mato Grosso, principal estado produtor de grãos do Brasil, o mercado de fretes rodoviários ficou praticamente estável no período analisado. Mesmo sem grandes oscilações, as cotações permaneceram em patamares considerados elevados para esta época do ano.

O comportamento reflete a combinação entre o grande volume produzido, a continuidade dos embarques para o mercado externo e a demanda constante por transporte rodoviário de grãos. Na prática, mesmo após o pico da colheita da soja, os corredores logísticos seguem movimentados, o que ajuda a sustentar os preços.

Cenário em MS

Cenário parecido foi observado em Mato Grosso do Sul, onde houve acomodação depois do período de maior pressão logística da colheita. Ainda assim, o fluxo de embarques manteve a procura por caminhões e segurou os valores dos fretes agrícolas.

Outros estados

Em outros estados produtores, o movimento foi diferente. Goiás apresentou tendência de queda mensal no transporte de grãos, mas o custo do combustível para transportadores segue cerca de 15% acima do registrado em abril de 2025, o que mantém os valores maiores na comparação anual.

No Distrito Federal, houve aumento em todas as rotas pesquisadas. Já no Paraná, foram registradas variações pontuais, com pressão em rotas específicas. Na Bahia, os fretes subiram nas principais praças de cultivo de primavera/verão, enquanto Maranhão, Piauí e São Paulo tiveram comportamentos variados conforme demanda, exportações e preço do combustível.

Além do mercado de fretes em dez estados produtores, o boletim da Conab reúne análises sobre logística agropecuária, exportações agrícolas e movimentação de estoques feita por transportadoras contratadas via leilão eletrônico.

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