O cuidado com o meio ambiente também começa com conhecimento. Foi com essa proposta que estudantes da Escola Municipal Érico Veríssimo participaram, nesta terça-feira (18), de uma atividade especial no Museu do Cerrado, em Lucas do Rio Verde, em comemoração ao Dia Nacional do Campo Limpo.
Realizada em parceria entre o Cearpa, a Fundação Rio Verde e a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, a ação levou a dois grupos de estudantes, de forma lúdica e prática, um tema diretamente ligado à produção agrícola: a destinação correta das embalagens vazias de defensivos agrícolas.
Gestor ambiental do Cearpa em Lucas do Rio Verde, Rangel Portela explica que o Dia Nacional do Campo Limpo, celebrado em 18 de agosto, marca o reconhecimento do trabalho realizado pelo Sistema Campo Limpo, referência nacional em logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas.
“É uma data que celebra o sucesso do Sistema Campo Limpo, que trata da destinação final das embalagens vazias dos defensivos agrícolas utilizados na lavoura”, destacou.
Segundo Rangel, o trabalho com crianças é uma forma de ampliar a conscientização sobre a responsabilidade ambiental que também existe no meio rural. Assim como os estudantes aprendem a separar resíduos em casa e na escola, o produtor rural também possui responsabilidades específicas após a utilização dos produtos no campo.
A orientação envolve a realização da tríplice lavagem ou lavagem sob pressão, a inutilização da embalagem e a devolução ao local indicado na nota fiscal, permitindo que o material seja encaminhado para reciclagem ou destinação adequada.
“É interessante plantar essa sementinha nas crianças, porque elas chegam em casa e vão cobrar o pai, perguntar se ele está usando corretamente. Muitas das crianças que estão aqui têm pais que trabalham em fazendas, então isso está diretamente ligado à realidade delas”, afirmou Rangel.
Do campo para novos produtos
Durante a atividade, os estudantes puderam conhecer materiais produzidos a partir do processo de reciclagem das embalagens, compreendendo que aquilo que poderia se transformar em um problema ambiental pode retornar à cadeia produtiva.
De acordo com Rangel, o Sistema Campo Limpo envolve diferentes setores, incluindo produtores rurais, fabricantes, comerciantes, cooperativas e órgãos públicos. A participação de todos é necessária para que a logística reversa funcione.
“O produtor faz a parte dele e entrega essa embalagem no centro de recebimento. A partir daí, ela pode ser transformada em novos materiais e voltar para o processo produtivo”, explicou.
Entre os materiais apresentados aos alunos estavam produtos derivados de papelão e plástico, além de artefatos como dutos corrugados.
Educação ambiental começa cedo
Para o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Felipe Palis, a atividade reforça um trabalho que já vem sendo desenvolvido no Museu do Cerrado, espaço utilizado para abordar temas como reciclagem, biodiversidade, saneamento e ecologia.
Esta é a quarta edição realizada em parceria com o Cearpa e a Fundação Rio Verde, segundo o secretário.
“A gente aposta muito na educação ambiental e nesse conhecimento que os professores passam para os alunos, para que tenhamos cada vez mais cidadãos conscientes e preocupados com a questão ambiental”, afirmou.
Felipe também destacou a eficiência do sistema brasileiro de logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas. Segundo ele, mais de 98% das embalagens utilizadas retornam ao processo, depois de cumpridas as etapas de responsabilidade do produtor.
A atividade também dialoga diretamente com o Programa Lixo Zero, desenvolvido pela rede municipal de ensino.
Para a professora Michelene Rufino Araújo de Brito, da Escola Érico Veríssimo, a experiência amplia aquilo que já é trabalhado em sala de aula.
“A gente só pode cuidar do meio ambiente se fizer a nossa parte enquanto cidadão. Precisamos saber separar corretamente os resíduos”, destacou.
Segundo ela, o contato dos estudantes com práticas ambientais pode ultrapassar os muros da escola e chegar às famílias. A rede municipal trabalha os chamados 5 Rs da sustentabilidade como base das ações de educação ambiental.
Conscientização que chega às famílias
Para Rangel, levar o tema para crianças e adolescentes é também uma maneira de fazer a informação circular entre as famílias e comunidades rurais.
“Desde 2005 realizamos o Dia Nacional do Campo Limpo. Aqui é o segundo ano junto com o Museu do Cerrado, que se tornou uma base muito legal para receber esse público”, explicou.
A escolha do espaço também facilita a participação das escolas, já que permite reunir os estudantes em um ambiente voltado à educação ambiental, aproximando dois universos que fazem parte da rotina de Lucas do Rio Verde: a cidade e o campo.
Mais do que explicar o destino de uma embalagem, a proposta foi mostrar aos estudantes que a preservação ambiental depende de uma cadeia de responsabilidades. No campo, assim como na cidade, cada atitude interfere no resultado coletivo.
E, para Rangel, começar pelas crianças é uma maneira de fazer essa mensagem chegar ainda mais longe.
“É uma forma lúdica de levar para elas essa questão da reciclagem que também acontece no campo e mostrar que todos temos uma responsabilidade com o meio ambiente.”
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