O desmatamento na Amazônia caiu 41,8% e atingiu o menor nível em 38 anos, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nessa sexta-feira (16). O Cerrado também registrou queda de 23,8%, alcançando o menor índice desde o início de sua série histórica, em 2001.
Na Amazônia, foram desmatados 3.335 km² de floresta entre agosto de 2025 e julho de 2026, contra 5.731 km² no período anterior. O resultado representa a quinta redução anual consecutiva.
Já no Cerrado, a área desmatada passou de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², marcando o terceiro ano seguido de queda.
Apesar dos resultados, os dois biomas perderam, juntos, mais de 8,8 mil km² de vegetação nativa em apenas um ano, área equivalente a aproximadamente seis vezes o tamanho do município de São Paulo.
Pará e Mato Grosso lideram desmatamento na Amazônia
Entre os estados da Amazônia Legal, o Pará registrou a maior área desmatada, com 1.130 km², seguido por Mato Grosso, com 849 km², e Amazonas, com 525 km².
Os três estados concentraram cerca de 75% da área desmatada no bioma durante o período analisado.
No Cerrado, o Maranhão liderou o levantamento, com 1.718,59 km² de vegetação perdida. Na sequência aparecem Tocantins, com 1.263,06 km², e Piauí, com 625,24 km².
A região conhecida como Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, respondeu por 74,3% de todo o desmatamento registrado no Cerrado.
Fiscalização ambiental soma R$ 11,8 bilhões em multas
Entre 2023 e 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou 76.095 ações de fiscalização em todo o país.
As operações resultaram em 25.101 autos de infração contra a flora, com R$ 11,8 bilhões em multas aplicadas, além do embargo de 18.630 km² de áreas.
No mesmo período, foram registrados mais de 15 mil termos de apreensão e 4 mil termos de destruição de bens relacionados às infrações ambientais.
Já o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lavrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, que somaram R$ 2,4 bilhões em multas.
Os valores correspondem às penalidades aplicadas, não necessariamente aos montantes efetivamente arrecadados.
Inteligência artificial será usada para monitorar desmatamento
O monitoramento ambiental também deverá ganhar novas ferramentas tecnológicas. Um investimento de R$ 147,6 milhões foi aprovado para a implantação do Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas).
O projeto prevê o uso de inteligência artificial para integrar dados de satélites, identificar alterações na vegetação e produzir indicadores de risco de desmatamento e degradação ambiental.
Com a ampliação, o sistema de alertas Deter deverá passar a monitorar também a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa.
Outra mudança prevista é a melhoria na resolução das imagens usadas para identificar áreas queimadas, que deverá chegar a 30 metros em todos os biomas.

Conservação e produção sustentável
Além da fiscalização, as medidas de prevenção ao desmatamento incluem incentivos financeiros à conservação ambiental e à produção agropecuária sustentável.
No Plano Safra 2026/2027, produtores que atendem aos critérios de regularidade ambiental podem obter redução de 0,5 ponto percentual nas taxas de juros de operações de custeio rural.
A adoção de práticas sustentáveis pode garantir desconto adicional de 0,5 ponto percentual, totalizando até 1 ponto percentual de redução.
O programa Bolsa Verde, voltado a famílias de baixa renda que contribuem para a conservação de áreas naturais, atende 86.635 famílias em 139 municípios. Desde 2023, foram transferidos R$ 420 milhões aos beneficiários.
Já o Fundo Amazônia contabilizava, em outubro de 2026, 160 projetos aprovados e R$ 7,8 bilhões comprometidos com iniciativas de fiscalização, conservação e recuperação de áreas degradadas.
Dados da Amazônia ainda são estimativas
O Inpe esclarece que a taxa de desmatamento divulgada para a Amazônia é uma estimativa baseada em imagens prioritárias de satélite.
A taxa consolidada, calculada a partir da análise de todas as imagens do bioma, será divulgada no primeiro semestre de 2027.
No caso do Cerrado, os dados já são considerados definitivos, pois o monitoramento contemplou todo o território do bioma.
As séries históricas e os mapas do desmatamento estão disponíveis na plataforma TerraBrasilis, do Inpe.
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