Depressão atinge quase 30% dos idosos atendidos na rede de saúde de Cuiabá, aponta estudo científico

Em Cuiabá, um estudo científico acendeu um alerta para a saúde pública municipal ao revelar que quase três em cada dez idosos acompanhados pela Atenção Primária à Saúde apresentam sintomas depressivos.

O levantamento “Depressão em idosos na atenção primária e fatores associados”, realizado com 373 moradores da capital e publicado na Revista Sociedade Científica, identificou uma incidência de 29% de quadros depressivos nessa faixa etária.

A pesquisa mapeou as condições socioeconômicas dos participantes e apontou que a vulnerabilidade social, a perda da capacidade cognitiva e o acúmulo de outras doenças crônicas são as principais alavancas para o surgimento do transtorno.

Perfil dos idosos e fatores de vulnerabilidade na capital

O estudo traçou o raio-x social da população idosa consultada nas unidades básicas de saúde cuiabanas:

  • Gênero: 63% dos avaliados eram mulheres

  • Etnia declarada: 57% eram pretos ou pardos

  • Moradia e solidão: 49% viviam totalmente sós

  • Faixa etária: 27% tinham 75 anos ou mais

  • Renda e instrução: 26% recebiam menos de um salário mínimo (R$ 1.320) e 19% eram analfabetos

Os dados chamam atenção diante do envelhecimento populacional acelerado. De acordo com o Censo do IBGE, a população idosa em Cuiabá já ultrapassa a marca de 56 mil moradores.

Segundo os pesquisadores — liderados pelo professor Ageo Mário Cândido da Silva, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com pesquisadores da Unic e da UFR —, a depressão na terceira idade acelera a perda de autonomia, agrava doenças físicas preexistentes e destrói a qualidade de vida se não for diagnosticada precocemente.

Sinais de alerta e onde buscar ajuda gratuita

A depressão em idosos muitas vezes se manifesta de forma silenciosa e não apenas com episódios de choro ou tristeza expressa. Famílias e cuidadores devem ficar atentos a sintomas como:

  • Tristeza e apatia: Desânimo constante e perda de interesse por atividades antes prazerosas;

  • Sintomas físicos: Queixas frequentes de dores pelo corpo sem causa médica aparente, além de alterações bruscas no sono e no apetite;

  • Isolamento: Recusa em conviver com familiares e amigos ou abandono de tarefas do cotidiano.

A porta de entrada para o acolhimento na capital são as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). As equipes de saúde da família fazem a triagem inicial e encaminham o paciente para acompanhamento psicológico ou psiquiátrico na rede especializada.

Os autores ressaltam que o estudo é transversal — o que indica forte associação entre os fatores, mas não causa direta — e defendem a implementação da Avaliação Geriátrica Multidimensional nas unidades do município, aliando tratamento médico a projetos de convivência comunitária e suporte social.

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