Depois de recuar na semana anterior, o custo da cesta básica voltou a subir em Cuiabá e encerrou setembro em R$ 902,15, segundo levantamento semanal do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT). O valor representa alta de 1,41% em relação aos R$ 889,63 registrados em 23 de setembro.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a cesta custava R$ 776,83, o aumento chega a 16,13%.
Mais do que o preço final, o levantamento desta semana mostra movimentos curiosos entre os produtos: enquanto tomate, óleo de soja e carne bovina ficaram mais caros, itens como batata, leite, farinha de trigo e manteiga tiveram redução.
O pão francês, por sua vez, foi o único entre os itens listados que não apresentou qualquer variação na semana.
Tomate dispara
O tomate foi novamente o item com a maior variação da cesta. O preço médio subiu 6,40% em apenas uma semana, chegando a R$ 11,69 o quilo. O dado que mais chama a atenção, porém, aparece na comparação anual: o produto está 142,57% mais caro que no mesmo período de 2025.
Segundo a análise do IPF-MT, as chuvas nas principais regiões produtoras têm afetado o ritmo das colheitas, além de prejudicar a qualidade e a maturação dos frutos. Com menos produto disponível no mercado, a oferta fica mais restrita e os preços são pressionados para cima.
Na prática, a variação do tomate teve um peso nominal de R$ 6,33 sobre a composição da cesta em relação à semana anterior, o maior impacto entre os produtos monitorados.

Preço do óleo de soja
Outro comportamento interessante aparece no óleo de soja. O produto subiu 4,66% na semana, chegando ao preço médio de R$ 8,91 por embalagem de 900 ml. Apesar da alta recente, ele ainda custa 1,81% menos que no mesmo período de 2025.
O IPF-MT relaciona a elevação à oferta mais restrita. O boletim aponta que o cenário envolve aumento das exportações e incertezas sobre a próxima safra, fatores que podem ter afetado a quantidade de soja destinada à produção de óleo.
Batata cai
Na direção contrária, a batata apresentou a maior queda semanal: 2,45%, com preço médio de R$ 7,21 o quilo. Ainda assim, comprar batata continua significativamente mais caro do que em 2025. O valor atual está 125,40% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
A diferença entre a queda da semana e a forte alta acumulada em um ano é uma das curiosidades do levantamento. Segundo o instituto, as lavouras têm registrado maior estabilidade climática, permitindo a manutenção das colheitas e aumentando a quantidade disponível no mercado, o que pode explicar o recuo mais recente.
Café, carne e banana também ficaram mais caros
Além dos itens de maior oscilação, outros alimentos tiveram avanços mais discretos. O café subiu 1,73%, a carne bovina avançou 1,44%, a banana teve alta de 1,38%, o feijão ficou 1,05% mais caro, enquanto arroz e açúcar subiram 0,84% e 0,71%, respectivamente.
O café chegou a R$ 27,85 por 500 gramas. Mesmo com a alta da semana, o boletim destaca que os preços ainda estão abaixo dos registrados em 2025. A elevação recente pode estar ligada aos baixos estoques internacionais, às incertezas sobre a próxima safra e às condições climáticas.
Já a carne bovina atingiu R$ 49,13 o quilo. Segundo o IPF-MT, a baixa disponibilidade de animais em fase de abate restringe a oferta de carne e pode estar pressionando os preços.
A banana, vendida em média a R$ 8,46 o quilo, também chama atenção por uma razão diferente: o calor intenso acelera o amadurecimento da fruta, dificulta o transporte e pode aumentar perdas durante a logística. Com oferta mais restrita e custos maiores para levar o produto até o consumidor, os preços acabam sendo afetados.

Mais leite no mercado ajuda a baixar preço
Entre os produtos que ficaram mais baratos, o leite recuou 0,13% e passou a custar, em média, R$ 7,29 o litro. A explicação apontada no levantamento é o aumento da disponibilidade do produto no mercado, com maior volume de captação pressionando os preços para baixo.
A farinha de trigo também caiu 0,13%, para R$ 5,17 o quilo. Nesse caso, o boletim aponta uma situação peculiar: apesar de existir restrição de oferta, a qualidade mais baixa do trigo e a quantidade disponível podem ter reduzido a demanda pelo produto, contribuindo para a queda do preço.
A manteiga teve a menor redução percentual, de 0,03%, e foi encontrada por cerca de R$ 33,84 a embalagem de 500 gramas. A queda no custo da matéria-prima e a redução das exportações aparecem entre as possíveis explicações.
Assim, setembro termina com a cesta novamente acima dos R$ 900, mostrando que mesmo pequenas oscilações semanais escondem movimentos bastante distintos: alimentos que recuam no curto prazo seguem muito mais caros que há um ano, enquanto outros sobem agora, mas ainda permanecem abaixo dos preços observados em 2025.
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