A paixão pelo Flamengo ultrapassa os limites do Rio de Janeiro e também deixa marcas nas ruas de Cuiabá. Na capital mato-grossense, há até uma rua que leva o nome do clube carioca e uma representação do Cristo Redentor, um dos principais símbolos do Rio. Nesta quarta-feira (28), Dia do Flamenguista, torcedores celebram a data com histórias de amor pelo time que atravessam gerações.
Entre os apaixonados pelo Rubro-Negro está Saulo Nobre, que transformou a própria casa em uma demonstração de carinho pelo clube. Bandeiras, camisas, garrafas personalizadas e até uma rede nas cores vermelho e preto fazem parte da decoração. Mas essa história começou muito antes de ele ter acesso à televisão ou conhecer pessoalmente um estádio de futebol.
Saulo conta que descobriu o Flamengo ainda na infância, acompanhando as partidas pelo rádio. Na época, nem sequer sabia como era a camisa do time. Foi somente depois de se mudar com a mãe para Cuiabá que viu, pela primeira vez, o uniforme que se tornaria parte de sua vida.
“Não tínhamos recursos de televisão, essas coisas. Então comecei a me apaixonar pelo Flamengo através do rádio, mas nunca tinha visto a camisa do Flamengo”, relembrou.
A descoberta aconteceu quando ele saía da escola e viu um rapaz usando uma camisa vermelha e preta. Encantado, perguntou a um colega onde poderia comprar uma igual.

“Eu comentei com um coleguinha: ‘Que camisa linda! Onde será que compra dessa?’. Ele falou: ‘A camisa é do Flamengo, você não sabia?’. Aí o que já era paixão de ouvido virou paixão visual”, contou.
Sonho realizado no Maracanã
A paixão pelo Flamengo cresceu com o passar dos anos, mas faltava realizar um sonho: assistir a uma partida no Maracanã, no Rio de Janeiro.
A oportunidade surgiu em 2017, quando Saulo decidiu viajar sozinho para conhecer o estádio. Sem familiaridade com o transporte público carioca, ele se perdeu no metrô e acabou encontrando dois torcedores do Flamengo.
Ao contar que havia saído de Cuiabá especialmente para assistir ao jogo, surpreendeu os novos conhecidos, que não imaginavam a quantidade de flamenguistas em Mato Grosso.
“Eu falei: ‘Vocês não fazem ideia de quantos flamenguistas tem em Cuiabá’. Eles perguntaram se eram muitos, e eu respondi que sim”, recordou.
A conversa acabou rendendo uma surpresa. Os torcedores conseguiram levá-lo para assistir à partida em um camarote do Maracanã, com todas as despesas pagas.

“Perguntaram se era minha primeira vez e disseram: ‘Você vai estrear com chave de ouro’”, contou Saulo.
A experiência se tornou uma das lembranças mais especiais de sua trajetória como torcedor.
Rua do Flamengo e Cristo Redentor em Cuiabá
A presença do Flamengo em Cuiabá não se limita às casas dos torcedores. A capital tem uma rua que leva o nome da equipe carioca, uma homenagem que chama a atenção de quem passa pela região.
Nas proximidades, uma representação do Cristo Redentor também faz parte da paisagem, trazendo para Mato Grosso um dos símbolos mais conhecidos do Rio de Janeiro, cidade onde o Flamengo foi fundado.
As referências mostram como a identidade carioca e a paixão pelo futebol também encontraram espaço na capital mato-grossense.
Dia do Flamenguista também é dia de São Judas Tadeu
O dia 28 de outubro tem um significado especial para os flamenguistas por coincidir com a celebração de São Judas Tadeu, considerado padroeiro do clube. Para Alanni Malheiros Nascimento, a data representa uma comemoração tripla. Além de torcer pelo Flamengo e ser devota do santo, ela também faz aniversário neste dia.
“É uma alegria carregar isso no peito. Ter o Flamengo como time que eu escolhi, ou melhor, que me escolheu. E ter nascido no dia de São Judas Tadeu também foi uma alegria enorme. Carrego com fé, com muita devoção ao meu santinho de coração”, afirmou.
A paixão pelo Rubro-Negro é uma tradição de família. Entre tantas lembranças, Alanni destaca a histórica virada do Flamengo sobre o River Plate, na final da Copa Libertadores de 2019.

Na ocasião, o clube carioca venceu por 2 a 1, com dois gols de Gabriel Barbosa nos minutos finais, conquistando o título continental.
“Não tem como falar de 2019 e não lembrar da incrível virada em cima do River Plate. Minha irmã já estava desacreditada, achando que o Flamengo ia bater na trave de novo”, relembrou. E, como o Dia do Flamenguista também é seu aniversário, Alanni já sabe o que gostaria de ganhar de presente: uma vitória sobre o Vasco e o título do Campeonato Brasileiro.
Mas, acima de qualquer conquista dentro de campo, ela também faz um pedido especial. “Bênção para minha família, saúde para minha família. Estar sempre com eles reunidos, comemorando cada vez mais”, disse.
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