Coronel Fernanda defende mineração em terras indígenas e critica Funai

A deputada federal reeleita Coronel Fernanda (PL-MT) defendeu a possibilidade de exploração mineral e de atividades agrícolas em terras indígenas e criticou a atuação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Em entrevista ao Bom Dia Mato Grosso, nesta segunda-feira (19), a parlamentar afirmou que pretende continuar trabalhando pela ampliação das atividades econômicas nesses territórios durante seu segundo mandato na Câmara dos Deputados.

Reeleita com 205.064 votos, a deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) defendeu a mineração em terras indígenas e criticou a atuação da Funai. Foto: Ana Júlia Pereira/Primeira Página

Reeleita com 205.064 votos nas eleições de 2026, Coronel Fernanda afirmou que os povos indígenas deveriam ter maior liberdade para desenvolver atividades produtivas, incluindo mineração e agricultura de média e grande escala.

“Eu entendo que os povos têm que ter liberdade de trabalhar e hoje, quando eles querem promover mineração, agricultura de média e grande escala, qualquer outra ação, a Funai proíbe”, declarou.

A parlamentar também afirmou que existem comunidades indígenas enfrentando dificuldades econômicas e defendeu alternativas para ampliar a geração de renda. “Nós temos casos, não só dentro do estado de Mato Grosso, mas fora do Mato Grosso também, onde estão passando fome. É inadmissível hoje os índios viverem de uma aposentadoria e uma cesta básica”, disse.

Segundo Coronel Fernanda, as restrições às atividades econômicas dificultam o desenvolvimento das comunidades. “As pessoas têm que ter oportunidade de poder crescer e os povos indígenas são impedidos disso”, acrescentou.

Exploração de terras indígenas envolve restrições constitucionais

A exploração mineral em terras indígenas é um tema que envolve regras específicas previstas na Constituição Federal. O artigo 231 estabelece que a pesquisa e a lavra de riquezas minerais nesses territórios dependem de autorização do Congresso Nacional, após consulta às comunidades afetadas, além de prever participação nos resultados da exploração, na forma da lei.

A Constituição também reconhece os direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam, incluindo o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.

Por isso, a autorização para mineração e outras atividades econômicas não depende apenas de uma decisão administrativa da Funai. O tema envolve exigências constitucionais, legislação específica e direitos das comunidades indígenas.

A deputada não detalhou, durante a entrevista, qual proposta legislativa pretende apresentar ou apoiar para modificar as regras atuais.

Deputada também cobra regularização de assentamentos

Além da questão indígena, Coronel Fernanda apontou a regularização fundiária urbana e rural como uma das prioridades do novo mandato.

Ela criticou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e afirmou que há famílias vivendo há décadas em assentamentos de Mato Grosso sem receber o título definitivo de suas propriedades. “Nós temos um problema seríssimo no estado de Mato Grosso, por inércia, por falta de compromisso do próprio órgão público, o Incra”, afirmou.

Segundo a parlamentar, há moradores de assentamentos que aguardam a regularização há 10, 20 ou até 30 anos. Para Coronel Fernanda, a falta de documentação dificulta o desenvolvimento econômico de pequenos e médios produtores rurais.

A deputada afirmou que pretende manter essas pautas entre suas prioridades em Brasília, assim como as ações voltadas à segurança pública e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

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