Como se preparar para o El Niño? Plataforma reúne alertas e orientações para cada região do Brasil

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou uma página oficial com informações e orientações sobre o fenômeno El Niño e seus possíveis impactos no Brasil. Desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a plataforma reúne dados climáticos, alertas meteorológicos, ferramentas de gestão de risco e recomendações para ajudar produtores a se prepararem para os efeitos do fenômeno.

Todo o Brasil sente o El Niño mas de formas diferentes. (Foto: Climatempo)

A iniciativa concentra informações sobre previsão do tempo, crédito rural, seguro rural, assistência técnica, Plano Safra, Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), além de notas técnicas e tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para reduzir prejuízos causados por eventos climáticos extremos.

Riscos previstos para cada região

Segundo o governo federal, os impactos do El Niño devem ocorrer de forma diferente no país:

  • Sul: tendência de excesso de chuvas, com risco de alagamentos, erosão e dificuldades durante a colheita.
  • Centro-Sul: possibilidade de seca moderada combinada com temperaturas mais elevadas.
  • Norte do Sudeste: aumento do risco de estiagem.
  • Nordeste e Norte (Amazônia): maior probabilidade de secas prolongadas e ocorrência de incêndios florestais.

Diante desse cenário, o governo mantém um grupo de trabalho que acompanha a evolução do fenômeno e planeja medidas preventivas para minimizar os impactos.

El Niño traz contraste climático ao Brasil com chuvas intensas no Sul e seca no Norte e Nordeste. (Foto: Climatempo)
El Niño traz contraste climático ao Brasil com chuvas intensas no Sul e seca no Norte e Nordeste. (Foto: Climatempo)
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Orientações para regiões com excesso de chuva

Nos estados da região Sul, onde a expectativa é de maior volume de precipitação, as recomendações incluem:

  • Respeitar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc);
  • Escalonar a semeadura;
  • Escolher cultivares mais resistentes a doenças;
  • Manter cobertura do solo;
  • Reforçar sistemas de drenagem;
  • Intensificar o monitoramento de pragas e doenças;
  • Planejar com antecedência a logística de colheita e secagem;
  • Monitorar a ocorrência de micotoxinas nos grãos.

Na pecuária, a orientação é melhorar a drenagem de áreas de pastagem, proteger silagens e reforçar o monitoramento sanitário dos rebanhos.

Região deve enfrentar excesso de chuva, com orientações voltadas à drenagem, prevenção de doenças e planejamento da colheita. (Foto: ClimaTempo)
Região deve enfrentar excesso de chuva, com orientações voltadas à drenagem, prevenção de doenças e planejamento da colheita. (Foto: ClimaTempo)

Medidas para enfrentar a seca

Nas regiões Norte e Nordeste, onde há maior risco de estiagem, as orientações são voltadas à conservação de água e alimentação animal.

Entre as principais recomendações estão:

  • Formação de reservas estratégicas de água;
  • Estoque de forragem para alimentação dos animais;
  • Construção de cisternas e barragens subterrâneas;
  • Uso de sistemas agroflorestais;
  • Adequação da capacidade de lotação das pastagens.

Também há alerta para o aumento do risco de incêndios, com recomendação de abrir aceiros, fortalecer brigadas de combate, utilizar monitoramento por satélite e evitar o uso do fogo.

Atenção ao calor intenso

No Centro-Oeste, a principal preocupação é o estresse térmico provocado pelas altas temperaturas. As orientações incluem:

  • Planejamento das atividades com base nas previsões meteorológicas;
  • Uso de cobertura de solo e plantio direto;
  • Recuperação de pastagens degradadas;
  • Integração lavoura-pecuária-floresta para ampliar o conforto térmico dos animais;
  • Aproveitamento de períodos secos para colheita de culturas como milho, algodão e sorgo.
Calor e períodos mais secos exigem atenção à safra, manejo do solo e proteção contra estresse térmico. (Foto: Ana Karla Flores)
Calor e períodos mais secos exigem atenção à safra, manejo do solo e proteção contra estresse térmico. (Foto: Ana Karla Flores)
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Variações drásticas no clima

Já no Sudeste, o padrão climático tende a ser mais variável. O governo recomenda atenção especial às lavouras de café e cana-de-açúcar devido ao risco de estresse hídrico e térmico. Nos rebanhos, as principais medidas são:

  • Garantir sombra, água de qualidade, ventilação adequada e suplementação alimentar quando necessário.

Informação para agir antes dos impactos do El Niño

De acordo com o Mapa, a estratégia para enfrentar o El Niño combina prevenção, mitigação e transferência de risco, por meio de ferramentas como o seguro rural, assistência técnica e monitoramento climático.

Orientações e ferramentas devem ajudar na prevenção dos impactos do El Niño no Brasil. (Foto: Empaer)
Orientações e ferramentas devem ajudar na prevenção dos impactos do El Niño no Brasil. (Foto: Empaer)

O objetivo é reduzir perdas, aumentar a capacidade de resposta diante de eventos extremos e ampliar a proteção das atividades produtivas em diferentes regiões do país.

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