Centro de Bem-Estar Animal de Rondonópolis amplia atendimento veterinário, castrações e políticas de proteção, mas número de animais que chegam ainda supera o de adoções.

Os números registrados pelo Centro Integrado de Bem-Estar Animal de Rondonópolis (CIBEAR) entre janeiro e agosto de 2026 revelam duas realidades da causa animal no município: de um lado, o avanço da estrutura de acolhimento e atendimento veterinário; do outro, o desafio permanente provocado pelo grande número de animais que continuam chegando ao serviço público.


Nos primeiros oito meses do ano, 675 animais deram entrada no Centro de Bem-Estar Animal, enquanto 416 foram adotados.


Isso significa que, para cada 100 animais que chegaram ao CIBEAR, aproximadamente 62 encontraram uma família por meio da adoção. Ainda assim, a diferença entre entradas e adoções foi de 259 animais, demonstrando a pressão constante sobre a capacidade de acolhimento.
Parte dos animais que permanecem no Centro não está simplesmente aguardando adoção. Muitos chegam vítimas de abandono, atropelamentos, maus-tratos, doenças ou em condições que exigem atendimento veterinário, medicação, exames, cirurgias e períodos prolongados de recuperação.


A realidade é muito diferente daquela vivenciada no passado. Hoje, o animal que chega ao serviço público encontra uma política estruturada de bem-estar animal, com acolhimento, avaliação veterinária e tratamento de saúde, além do trabalho voltado à castração e à adoção responsável, diretrizes da gestão do prefeito Cláudio Ferreira.
Esse cuidado também representa um custo significativo para prefeitura. Quanto mais grave a condição em que o animal é resgatado, maior pode ser o período de internação e tratamento, aumentando a necessidade de medicamentos, procedimentos, alimentação, profissionais e estrutura.
Para o superintendente do Centro de Bem-Estar Animal de Rondonópolis, Thiago Meireles, os números devem ser comemorados pelo que representam em vidas cuidadas e famílias formadas, mas também precisam despertar a sociedade para a responsabilidade compartilhada sobre a causa animal.
“Quando olhamos para 675 animais que chegaram até nós, não enxergamos apenas um número. São 675 vidas que precisaram de uma resposta. E quando vemos 416 adoções, são 416 histórias que tiveram a oportunidade de recomeçar dentro de uma família. A causa animal avançou muito em Rondonópolis, conquistou dignidade e respeito, mas nós sabemos que ainda há muito a fazer. E vamos avançar ainda mais.”, afirma Thiago Meireles.
Uma política que avançou
No último ano, Rondonópolis ampliou sua atuação na causa animal e passou a tratar o tema de maneira mais abrangente, unindo saúde, controle populacional, proteção, fiscalização, acolhimento e adoção, desmastrando que os animais também importam.
Entre as ações desenvolvidas estão as campanhas de castração, inclusive com o Castramóvel percorrendo diferentes regiões da cidade, atendimento veterinário, ações de adoção e parcerias com ONGs e protetores independentes.


O município também avançou na política de controle populacional de cães e gatos. Em aproximadamente um ano e meio, foram realizadas cerca de 8 mil castrações, com atenção especial às famílias em situação de vulnerabilidade social, além do atendimento às organizações e protetores cadastrados.
Somente em uma das grandes ações realizadas na região da Vila Operária, por exemplo, foram contabilizadas centenas de castrações em poucas semanas.
O trabalho envolve ainda iniciativas como o Animal Comunitário, ações educativas e de adoção, o Dia D Pet, políticas de identificação com Chipagem de animais e controle populacional, além da articulação com instituições, forças de segurança e organizações de proteção animal.
Também houve avanço na busca pela responsabilização em casos de maus-tratos e abandono e na construção de uma rede em que poder público, protetores e sociedade possam atuar de maneira integrada.
O desafio continua
Apesar dos avanços, os números de 2026 deixam um alerta.
Entram mais animais do que saem.
Enquanto 675 animais chegaram ao CIBEAR entre janeiro e agosto, 416 foram adotados. A diferença mostra que nenhuma estrutura pública conseguirá enfrentar sozinha o abandono de animais se não houver também conscientização e responsabilidade por parte da população.
Por isso, além de ampliar castrações e atendimento veterinário, é fundamental estimular a adoção responsável, combater o abandono e conscientizar os tutores sobre a guarda responsável.
Cada animal adotado representa uma vaga para que outro animal em situação de sofrimento possa ser acolhido.
E cada castração representa uma ação preventiva para reduzir, no futuro, o número de cães e gatos nas ruas.
O avanço do Centro de Bem-Estar Animal mostra uma mudança importante na maneira como Rondonópolis trata a causa.
Onde antes muitos animais tinham apenas a rua, hoje existe atendimento. Onde havia abandono, existe uma rede tentando acolher. Onde muitas vezes faltava perspectiva, hoje existe tratamento e a possibilidade de uma nova família.
Os desafios continuam grandes. Mas os números também revelam algo que não pode ser ignorado: a causa animal conquistou espaço, estrutura e dignidade em Rondonópolis.
E o próximo passo é fazer com que cada vez menos animais precisem ser resgatados e que cada vez mais encontrem um lar.