Chuva atípica encharca algodão prestes a ser colhido em MT e especialista explica impactos na produção

Uma lavoura de algodão pronta para ser colhida foi atingida por uma forte chuva na manhã dessa segunda-feira (3), em Sapezal (MT). Um vídeo publicado pelo produtor rural Valcir Scariote mostra as plumas encharcadas e a preocupação com possíveis perdas na qualidade da produção.

Plumas de algodão ficaram encharcadas após chuva atingir uma lavoura em Sapezal (MT). – Foto: Reprodução/Vídeo

Nas imagens, Valcir retira o algodão da planta e aperta a pluma com as mãos. A quantidade de água acumulada chama a atenção. “Como vai ficar a qualidade desse algodão? Uma pena, cara. Uma área imensa aqui pronta para ser colhida”, lamenta.

Segundo o produtor, diferentes pontos de Sapezal registraram volumes de chuva entre 30 e 50 milímetros. A gravação foi feita por volta das 9h, quando ainda havia água escorrendo das plumas. “Tem cabimento um trem desses? Correndo água, 9h da manhã. […] Pronto para ser colhido e acontece um trem desse”, diz.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o município registrou 13,8 mm de chuva entre o domingo (2) e a segunda-feira (3). O volume aponta que, em apenas dois dias, já choveu o previsto para todo o mês de agosto.

Chuva pode reduzir a qualidade do algodão

Na publicação, Valcir explicou que o planejamento da lavoura considera os períodos de chuva para conciliar o plantio e a colheita. Quando a pluma já aberta é molhada, a umidade pode comprometer a qualidade da fibra e, consequentemente, reduzir o valor de comercialização do algodão.

Em entrevista ao Portal Primeira Página, o coordenador de Inteligência de Mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Rodrigo Silva, explica que, nesta fase da safra, a principal preocupação não é uma eventual perda de produtividade, mas sim de qualidade da fibra.

“O principal relato que temos sobre essas chuvas durante a colheita é em relação à qualidade, mais do que à produtividade. A gente observa casos de amarelamento da fibra e perda da qualidade estrutural, o que pode comprometer o valor comercial do algodão”, afirma.

Além disso, caso a colheita demore, as plantas podem rebrotar. Nessa situação, pode ser necessária uma nova aplicação de produto para desfolhar a lavoura, o que aumenta os custos da produção.

Valcir classificou como incomum o volume de chuva registrado em agosto. Até o momento, porém, não há informações sobre a extensão da área atingida nem uma estimativa dos possíveis prejuízos causados pela chuva.

Apesar da chuva, previsão é de produtividade recorde

Mesmo com a redução de 11,11% na área cultivada na safra 2025/26, Mato Grosso pode registrar a maior produtividade de algodão da série histórica do Imea. A estimativa é de rendimento médio de 315,33 arrobas por hectare, superando levemente o recorde da temporada anterior.

Apesar da produtividade elevada, a menor área plantada deve reduzir a produção total para 6,51 milhões de toneladas de algodão em caroço e 2,67 milhões de toneladas de pluma, cerca de 11% abaixo da safra passada.

A retração é atribuída aos altos custos de produção e aos preços menos atrativos no momento do plantio, enquanto chuvas registradas em junho, julho e agosto podem afetar pontualmente a qualidade da fibra, embora a avaliação geral da safra permaneça positiva.

Segundo Rodrigo Silva, é importante diferenciar os impactos registrados em propriedades específicas da análise feita para todo o Estado.

“É importante diferenciar a situação de alguns produtores da realidade de Mato Grosso como um todo. Existem casos em que a chuva trouxe prejuízos, mas, quando analisamos cerca de 1,4 milhão de hectares cultivados no Estado, a avaliação geral continua bastante positiva”, destaca.

O analista ressalta que as chuvas registradas ao longo do desenvolvimento da cultura, especialmente entre junho e julho, favoreceram o desempenho das lavouras e contribuíram para a expectativa de produtividade recorde.

Já neste momento de colheita, os efeitos tendem a ser pontuais e concentrados na qualidade da pluma, sem alterar, por enquanto, a projeção geral da safra.

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