Muito antes de uma palestra começar ou de um estande abrir as portas para o público, uma engrenagem invisível já está em pleno movimento. Hotéis lotados, corridas de aplicativo multiplicadas, restaurantes movimentados e equipes de montagem trabalhando até a madrugada: o turismo de negócios vive de bastidores.
No centro dessa dinâmica em Mato Grosso, o Centro de Eventos do Pantanal (CEP) completa 26 anos nesta quinta-feira (27) ostentando marcas que explicam seu peso estratégico: 7 mil eventos realizados, 6,5 milhões de pessoas recebidas e um impacto histórico acumulado de quase R$ 460 milhões na economia local.
Gerido pelo Sebrae/MT, o complexo vem acelerando o passo. Só em 2025, o CEP foi palco de 185 realizações — incluindo 11 congressos e 10 feiras de negócios —, atraindo 162,5 mil participantes.
Apenas o público vindo de fora de Cuiabá (cerca de 20 mil pessoas no último ano) injetou R$ 32,9 milhões diretamente na economia da capital, um salto de 24,6% em relação a 2024 que movimentou 54 setores produtivos e gerou mais de 7,3 mil vagas temporárias de trabalho.
Estrutura ampliada para grandes agendas globais
Para acompanhar as exigências de feiras e congressos de grande porte, o CEP passou por um banho de loja estrutural no Pavilhão das Nações. O espaço expandiu de 3,7 mil para 4,4 mil metros quadrados com a criação de um mezanino e ganhou um sistema de climatização integral via Chiller (tecnologia de resfriamento a água), garantindo conforto térmico mesmo nos dias de calor extremo em Cuiabá.
Com capacidade para receber até 6 mil pessoas em pé ou 5 mil sentadas no pavilhão, o complexo ganhou flexibilidade para rodar feiras, exposições e palestras simultaneamente sem que um evento interfira no outro. Segundo a diretora-superintendente do Sebrae/MT, Lélia Brun, o objetivo é consolidar Mato Grosso na rota dos grandes eventos nacionais e internacionais. A meta é arrojada: a gestão projeta triplicar o fluxo de público nos próximos anos.
Área verde, energia solar e compostagem nos bastidores
Além dos números econômicos, o CEP aposta em diferenciais ambientais dentro de seus 14 hectares rodeados por vegetação do Cerrado e da Amazônia. O complexo abriga uma usina fotovoltaica própria com 972 placas solares (capacidade de 500 kWp), que gera até 75 mil kWh por mês e garante uma economia de quase R$ 1 milhão por ano, revertida em competitividade para os eventos.
Na gestão de resíduos, o espaço mantém um sistema interno de compostagem com sobra de podas e materiais orgânicos — na FIT Pantanal 2026, por exemplo, 1,5 tonelada de adubo foi distribuída aos visitantes. A estrutura conta ainda com coleta seletiva orientada para fornecedores e programas de neutralização de carbono, provando que a indústria de eventos pode crescer sem deixar o compromisso ambiental para trás.
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