Campo Grande quer R$ 476 milhões para asfalto, mas tapa-buraco vira crise na Câmara

A Prefeitura de Campo Grande quer contratar R$ 476 milhões em empréstimos para obras de drenagem e pavimentação, mas a busca por recursos para grandes projetos ocorre em meio à pressão dos vereadores por soluções para a crise dos buracos nas ruas da Capital.

Sessão da Câmara de Campo Grande desta terça-feira (13). (Foto: Marcus Vinnicius)

Nesta terça-feira (13), a Câmara Municipal pautou dez projetos do Executivo, incluindo duas propostas que autorizam o município a buscar o financiamento junto à Caixa Econômica Federal.

Os pedidos de empréstimo estavam na Câmara Municipal havia 50 dias e chegaram ao limite do prazo para votação. Diante da proximidade do vencimento, o secretário municipal de Governo foi pessoalmente ao Legislativo para intermediar a aprovação.

Mesmo com o aval dos vereadores, os R$ 476 milhões ainda não estão garantidos, nem os bairros a serem comtemplados estão definidos: a contratação depende de negociações com a Caixa Econômica Federal, da conclusão dos projetos e da definição dos bairros que serão beneficiados pelas obras.

“Não existe um número de bairros que já estão pré-definidos, e que isso já foi apresentado à Câmara de Vereadores, mas isso ainda depende agora das aprovações próximas, né? É preciso primeiro aprovar isso, eu preciso que o Tribunal de Contas emita certidões pra gente poder caminhar com isso junto a isso. É um primeiro passo, né? E aí depois a gente vai demonstrar, abrir quais são os bairros que serão, quais as etapas, se o recurso é de uma vez, se ele é fracionado, para a gente poder avançar nesse restante”.

Ulisses Rocha, secretário de governo

Pós equilíbrio fiscal

A autorização para a busca dos valores ocorre após a a aprovação do plano de equilíbrio fiscal de Campo Grande, que em 2025, já tinha recebido outro empréstimo de R$ 450 milhões em três parcelas com a Caixa Econômica, para obras de asfalto.

Enquanto as novas obras de infraestrutura seguem em discussão, a situação dos buracos nas ruas da capital continuam gerando críticas e prejuízos, e os vereadores cobram uma solução efetiva da prefeitura, para este problema que atualmente é considerado crônico na cidade.

Reações na Câmara

Segundo o presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), os vereadores fizeram 9 mil indicações de tapa-buraco à Secretaria Municipal de Obras apenas no primeiro semestre deste ano. Ele afirma que os buracos têm provocado acidentes e ampliado a insatisfação dos moradores com a resposta da Prefeitura.

“Estamos vivendo uma crise do tapa-buraco. As pessoas têm se acidentado nos buracos, as críticas se avolumam aos montões. É uma insatisfação generalizada e a gente não consegue ver uma ação mais efetiva do município”, declarou. Para o presidente, a situação chegou ao limite e também tem gerado insatisfação entre os parlamentares.

Buracos nas ruas levam MPMS a cobrar mudanças no asfalto da Capital. (Foto: Sérgio Saturnino)
Rua de Campo Grande com diversos buracos. (Foto: Sérgio Saturnino)

Até o líder da prefeita na Câmara, Beto Avelar (PP), demonstra insatisfação com a situação do tapa-buraco em Campo Grande. O vereador sugeriu à Prefeitura a criação de turnos extras, com equipes trabalhando de manhã, à tarde, à noite e até de madrugada, além de reforçar os serviços aos fins de semana para acelerar os reparos.

“É o principal problema de Campo Grande hoje é o serviço de tapa-buracos. Então, estamos conversando, levando algumas sugestões, sugestão como fazer um contraturno, final de semana, esse serviço tem que ser realizado, de manhã, de tarde, à noite e, se possível, de madrugada. É esse o problema, é isso que tem que ser feito aqui em Campo Grande”.

Em resposta às reclamações, o secretário municipal de Governo afirmou que as empresas credenciadas ainda estão se organizando para retomar os trabalhos em plena capacidade. Segundo ele, dificuldades na contratação de funcionários e a suspensão temporária dos serviços de algumas empresas provocaram atrasos, mas a expectativa é de regularização nos próximos dias.

“Nós tivemos a suspensão de serviços de algumas empresas e nós, através do consórcio, nós contratamos a aplicação do serviço com fornecimento de massa, massa via consórcio. E isso foi liberado nos últimos dias. Então, a gente ainda está no processo, essas empresas ainda estão, tem algumas delas com dificuldades de contratação, mas isso vai se regularizar nesses próximos dias”.

Ulisses Rocha, secretário de governo

Com todas as empresas em operação, a Prefeitura espera fechar cerca de 4 mil buracos por dia na Capital.

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