Câmara rejeita projeto que autorizaria sócios e União a assumir dívidas de bancos

A Câmara dos Deputados rejeitou, na noite desta quarta-feira (14), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 281/2019, que criava novas regras para socorrer bancos em dificuldades. A proposta recebeu 252 votos favoráveis e 176 contrários. Apesar de ter recebido mais votos favoráveis do que contrários, o texto não atingiu o quórum mínimo exigido de 257 votos.

Câmara dos Deputados. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
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A proposta do deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), tramitava desde 2019, quando foi apresentada durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro.

A proposta abrangia instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central (BCB), Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de seguradoras, resseguradoras, entidades abertas de previdência complementar e outros participantes do mercado financeiro.

Durante a discussão no Plenário, deputados da oposição e da base aliada criticaram a proposta e alertaram para o risco de o novo regime facilitar o uso de recursos públicos para socorrer bancos envolvidos em fraudes.

O que o projeto pretendia mudar

Um dos principais pontos da proposta era a criação de dois regimes para instituições em dificuldades: o de estabilização e o de liquidação compulsória. O objetivo era permitir a atuação das autoridades diante de problemas financeiros capazes de comprometer funções importantes para a economia e a estabilidade do sistema financeiro.

Banco Central, Susep e CVM exerceriam o papel de autoridade de resolução sobre as instituições sob suas respectivas áreas de supervisão.

Entre os instrumentos previstos estavam:

  • Transferência de ativos e passivos de uma instituição em crise para outra
  • Substituição de administradores
  • Suspensão temporária de determinadas obrigações
  • Mecanismos destinados a fazer acionistas e credores absorverem perdas

O projeto também estabelecia medidas para que parte dos prejuízos de uma instituição em crise recaísse primeiro sobre acionistas e determinados credores, antes da utilização dos mecanismos de socorro com recursos públicos.

Marcelo Queiroz, relator do projeto. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
Marcelo Queiroz, relator do projeto. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Uso de dinheiro público virou ponto de atenção

Um dos trechos mais sensíveis da proposta estava justamente na possibilidade de participação da União em situações de crise.

A legislação atual, estabelece que recursos públicos podem ser usados para socorrer instituições do Sistema Financeiro Nacional mediante lei específica. Já o Projeto de Lei Complementar queria estabelecer outro modelo.

Em determinadas situações de risco de crise sistêmica ou ameaça à estabilidade e ao funcionamento do sistema financeiro, a proposta permitia empréstimos da União ao fundo de resolução.

Caso essas medidas não fossem suficientes, o texto também previa, empréstimo ou capitalização temporária da União diretamente aos bancos submetidos ao regime de estabilização.

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