Após oito dias de buscas em mata fechada, os ocupantes da aeronave interceptada pela Força Aérea Brasileira (FAB) em Mato Grosso do Sul foram localizados e mortos em troca de tiro com policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Segundo a polícia, o grupo era responsável pelo abastecimento de cocaína na América do Sul e invadiu o espaço aéreo brasileiro depois de assassinar um subtenente de forças especiais na Bolívia.
Em coletiva de imprensa, o comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Rigoberto Rocha, detalhou os bastidores da ocorrência, iniciada no dia 31 de julho, e destacou a atuação rápida de órgãos estaduais e federais.
Interceptação e fuga
A ocorrência começou com um alerta emitido pelo Grupo Especial de Fronteira (Gefron), da Polícia Militar do Mato Grosso. A informação indicava que um avião de pequeno porte, sem plano de voo e suspeito de transporte ilícito, havia entrado no território nacional.
A Força Aérea Brasileira (FAB) foi acionada e, menos de 40 minutos após o alerta inicial, a aeronave suspeita foi interceptada. O piloto desobedeceu às ordens e, por isso, foi alvo de tiros. Os suspeitos realizaram uma manobra forçada em uma área de pasto e mata de uma fazenda perto de São Gabriel do Oeste.
Imediatamente, o Grupamento de Policiamento Aéreo (GPA) da PMMS e as equipes de solo do BOPE foram para o local. Na inspeção inicial da aeronave — que realmente estava com a numeração adulterada —, foi constatado que os ocupantes abandonaram o avião e entraram no mato.

Uma operação de busca foi montada imediatamente. Durante a ação, a inteligência da polícia boliviana repassou informações de que os fugitivos eram integrantes de uma organização armada, perigosa e de alto poder financeiro.
Informaram que o grupo havia matado um subtenente das Forças Especiais na Bolívia, dentro de uma propriedade vinculada aos próprios criminosos, com requintes de crueldade, e usaram duas aeronaves para fugir do país; uma delas era a mesma que foi interceptada.
Foram oito dias de busca até que as equipes localizaram os suspeitos a cerca de oito quilômetros do local em que o avião estava, próximo às margens do Rio Coxim.
O encontro deu origem a uma intensa troca de tiros e, ao fim dela, os quatro foragidos acabaram mortos.
Os criminosos estavam armados com fuzil calibre 5.56 e pistola 9mm.

Entre os mortos na ação policial está Mariano Paz Chavez, apontado como um dos chefes do narcotráfico boliviano. Com passagens por homicídio, sequestro e tráfico internacional, Chavez atuava como fornecedor atacadista de cocaína.
“Trata-se de um grande chefão do tráfico de drogas, principalmente de cocaína, na América do Sul. Eles eram revendedores que abasteciam a fronteira”, afirmou o Comandante do BOPE.
Ainda segundo o comandante, o alto poder aquisitivo e a estrutura da quadrilha ficaram evidentes no material apreendido na aeronave, que incluía um relógio avaliado em mais de R$ 2 milhões e expressiva quantia de dinheiro boliviano em espécie.
Durante os oito dias de cerco, as forças de segurança neutralizaram inclusive tentativas externas de resgate dos criminosos.
Os suspeitos foram identificados como José Mariano Paz Chávez, o ‘Piña’, de 29 anos, Cristian Guzmán Parada, de 31, Bruno Bascopé Jordán, 31 e José Óscar Lacoa Rapu, de 26 anos.