Bicudo-verdadeiro e curió são apreendidos em ação do Ibama contra o tráfico de aves silvestres

Cerca de R$ 1,66 milhão em multas foram aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) durante a Operação Gênesis, realizada no mês de maio para combater cativeiros ilegais e o tráfico de aves silvestres em Mato Grosso.

Ao todo, foram feitas 39 fiscalizações, que resultaram em 22 autos de infração, 54 animais silvestres apreendidos e cerca de 80 aves encaminhadas a Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). Durante a operação, os fiscais também destruíram gaiolas e anilhas irregulares, além de suspenderem cadastros usados no sistema de controle da criação amadora de pássaros.

Aves silvestres são apreendidas em ação do Ibama. – Foto: Divulgação/Ibama

Entre as espécies encontradas estão aves de alto valor no mercado clandestino, como o bicudo-verdadeiro e o curió, conhecidas pelo canto e frequentemente usadas em competições. As duas espécies são consideradas ameaçadas de extinção e estão protegidas por acordos internacionais, o que torna ainda mais grave a captura e a venda ilegal desses animais.

Durante as fiscalizações, o Ibama identificou irregularidades no Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (SisPass). Segundo os fiscais, havia cadastros desatualizados, registros incompatíveis com a realidade e movimentações fictícias de plantéis, usadas para tentar encobrir práticas ilegais.

Uma das fraudes mais comuns, conforme o órgão, é o chamado “esquentamento” de aves. Nessa prática, animais capturados ilegalmente na natureza são registrados no sistema como se tivessem origem legal. Também foram encontrados casos de falsificação e adulteração de anilhas oficiais, que funcionam como uma espécie de identidade das aves.

A operação ainda apontou situações consideradas graves, como cadastros ativos em nome de criadores já falecidos, aves repassadas informalmente a terceiros e registros ligados a endereços inexistentes ou desatualizados.

Além das irregularidades administrativas, os fiscais encontraram indícios de maus-tratos. Parte das aves estava em gaiolas pequenas ou superlotadas, sem higiene, com acúmulo de fezes, água contaminada e alimentação insuficiente. Muitos animais apresentavam sinais de estresse, debilidade, ferimentos e comportamento apático, indicando sofrimento prolongado.

Os animais foram resgatados e passarão por cuidados.

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