Atleta de Campo Grande faz história no bodyboard em SC

A história do atleta de bodyboard Jodvan Xavier, conhecido como “O Primo” começou bem longe das praias onde hoje ele disputa campeonatos. Natural de Campo Grande, ele passou anos trabalhando como peão de comitiva, tocando boiadas entre Naviraí e Camapuã.

Atleta Jodvan Xavier. (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois, morou em Bonito, onde trabalhou em fazendas, como guia de turismo e guarda-vidas. Segundo Jodvan, as corredeiras e rios de Bonito foram o primeiro contato forte com a água.

Sua chegada a Santa Catarina aconteceu por causa da família, ele foi para o estado para acompanhar a mãe durante uma cirurgia cardíaca e já no litoral, teve o primeiro contato com o mar. 

“Chegando ao litoral, o oceano me acolheu de uma forma transformadora. O primeiro contato com a onda foi amor à primeira vista, e a partir dali comprei minha prancha e não saí mais do mar.”

A experiência foi suficiente para que ele comprasse uma prancha e passasse a frequentar as ondas no bodyboard, mas a relação com o esporte precisou ser interrompida.

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Jodvan é campeão de bodyboard PCD. (Foto: Arquivo Pessoal)

O atleta sofreu dois acidentes graves. O primeiro provocou a perda da visão de um dos olhos e o segundo deixou limitações nos movimentos das pernas. Por cerca de 10 anos, Jodvan ficou afastado do mar.

Foi depois desse período que ele decidiu voltar. “Eu sofri dois acidentes graves na minha vida: o primeiro me deixou com visão monocular e o segundo me provocou limitações nos movimentos das pernas. Por conta disso, fiquei 10 anos totalmente afastado,”, conta.

O retorno ao bodyboard veio acompanhado de uma nova rotina de treinos e da vontade de testar os próprios limites. Com isso, o esporte passou a representar algo além da competição para ele.

“O bodyboard e o mar hoje representam vida, cura e liberdade para mim”, afirma.

Do vice ao título em Santa Catarina

A preparação para as competições envolve treinos diários e diferentes condições de mar. Além das ondas usadas nas disputas, o atleta também pratica o tow-in, modalidade em que é levado por um jet ski para surfar ondas grandes.

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Treino de tow-in do atleta. (Foto: Arquivo Pessoal)

A experiência em mares mais pesados, segundo ele, ajudou no controle emocional, na leitura das ondas e no condicionamento necessário para as competições.

No Campeonato Catarinense, a primeira etapa foi disputada em São Francisco do Sul. O resultado foi o segundo lugar. O título de campeão veio na etapa seguinte, realizada durante o Surf Festival, em Itapoá.

“Mas quando cheguei para disputar a 2ª etapa no Surf Festival em Itapoá (SC) e me vi encaixando as melhores ondas da bateria, senti que o título era possível”, relata.

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Jodvan foi campeão do Surf Festival em Itapoá (SC). (Foto: Arquivo Pessoal)

Quando o resultado foi confirmado, vieram à memória os anos afastados do esporte e o período de reabilitação.

“Passou um filme na cabeça, lembrei dos 10 anos que passei afastado por conta do acidente, dos momentos difíceis de reabilitação e do orgulho de ver todo aquele esforço recompensado no topo do pódio”, conta.

Campo Grande no pódio catarinense

Apesar de competir em Santa Catarina, o atleta não esquece de onde veio. Para ele, representar Campo Grande e Mato Grosso do Sul nas competições tem um significado especial, principalmente por ter construído a trajetória esportiva longe do litoral.

“É um orgulho gigante levar as minhas raízes de Campo Grande e do Mato Grosso do Sul para as águas do Sul do país.”, afirma.

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Atleta em campeonato de bodyboard. (Foto: Arquivo Pessoal)

A relação com o estado aparece também na sua trajetória. Ele sempre lembra que antes das pranchas e das competições, vieram as estradas, as fazendas e as comitivas.

“Mostrar que um sul-mato-grossense, que nasceu longe da praia e veio da lida do campo, pode se destacar em alto nível no mar e ser campeão em Santa Catarina é motivo de muita satisfação”, diz.

Atleta ainda enfrenta desafios fora do mar

O título catarinense não eliminou as dificuldades que fazem parte da rotina de um atleta PCD. Segundo ele, além das adaptações necessárias para competir, existe o desafio de manter financeiramente uma rotina que envolve treinos, deslocamentos, equipamentos e inscrições.

“Fora da água, os desafios costumam ser ainda maiores, a falta de acessibilidade adequada e principalmente, o suporte financeiro”, afirma.

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Atleta ainda passa por desafios. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para ele, ainda existe uma distância entre a dedicação dos atletas e o apoio disponível para o esporte adaptado. “A garra e a dedicação nós temos de sobra, mas ainda faltam incentivo e olhar atento do mercado para o esporte adaptado”.

A conquista em Santa Catarina, por isso, representa também uma marca pessoal depois de tudo o que aconteceu. “Essa conquista representa superação na sua forma mais pura”. 

Além das competições atleta tem projeto com crianças

Os planos de Jodvan são continuar disputando competições, buscar títulos estaduais e nacionais e seguir treinando para as grandes ondas.

Mas o trabalho com o esporte não fica só nas competições. Durante o verão, ele também administra um projeto social em parceria com a Escola de Surf do Bananinha, oferecendo aulas gratuitas de esportes de prancha para crianças da comunidade.

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Além dos campeonatos, Jodvan participa de projeto para crianças. (Foto: Arquivo Pessoal)

A ideia é aproximar os jovens do esporte e encontrar novos talentos. Mas, para manter os projetos e conseguir disputar o circuito completo, o atleta também busca patrocinadores e parceiros.

“Para conseguir levar o nome de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul ainda mais longe, disputar o circuito completo e manter a estrutura do projeto social para as crianças, precisamos muito de patrocínio e apoio financeiro de empresas e parceiros”, afirma.