Atleta cuiabano que ganhou bolsa para estudar nos EUA largou o futebol após lesões e encontrou no atletismo uma nova chance

O atleta cuiabano Rômulo Alexandre Basso Filho, de 18 anos, embarcou na última terça-feira (18) para os Estados Unidos (EUA), após conquistar uma bolsa de estudos na Cumberland University, em Lebanon, no estado do Tennessee. No país, ele dividirá a rotina entre as aulas de Tecnologia da Informação, os treinamentos e as competições de atletismo.

Após deixar o futebol por causa das lesões, Rômulo Basso encontrou no atletismo uma nova chance no esporte. – Foto: Rômulo Basso

A oportunidade representa um passo importante na carreira esportiva do jovem, que pretende disputar competições internacionais e sonha em representar o Brasil nos Jogos Olímpicos. Antes de ganhar destaque nas provas de meio-fundo e fundo, no entanto, ele planejava construir uma carreira no futebol.

Do futebol para o atletismo

Rômulo começou a praticar esportes ainda na infância. No futebol, atuava como lateral-esquerdo, mas uma sequência de lesões comprometeu as oportunidades que surgiram ao longo dos anos.

Em 2020, ele esteve perto de tentar uma vaga no Fluminense, mas a pandemia de Covid-19 e um problema físico interromperam os planos. Dois anos depois, quando se preparava para se apresentar ao Vasco, sofreu uma fratura no quadril durante um jogo decisivo e permaneceu afastado dos campos por aproximadamente um ano.

Antes de se destacar no atletismo, Rômulo Basso atuava como lateral-esquerdo e sonhava em seguir carreira no futebol. - Foto: Rômulo Basso
Antes de se destacar no atletismo, Rômulo Basso atuava como lateral-esquerdo e sonhava em seguir carreira no futebol. – Foto: Rômulo Basso

“Eu jogava bola desde bebezinho, sempre tive a bola no pé, mas chegou um determinado momento em que me frustrei com o futebol, sabe? Porque sempre que tinha uma chance de entrar em um time grande, acontecia alguma coisa, uma lesão ou algo externo que me impedia de ir, e acabei me frustrando”, contou ao Primeira Página.

Durante a recuperação, Rômulo começou a correr para manter o condicionamento físico. Aos poucos, o que era apenas uma atividade complementar transformou-se em sua principal modalidade.

Encontro com o atletismo

No fim de 2022, durante uma corrida de rua, Rômulo conheceu o treinador Cláudio Mendes, diretor técnico do Instituto Águias. Mesmo sem ter idade para participar daquele tipo de prova, o jovem terminou entre os primeiros colocados na classificação geral e chamou a atenção do treinador.

Impressionado com o desempenho, Cláudio procurou a família e convidou Rômulo para realizar alguns testes. Foi naquele momento que o cuiabano encontrou uma nova chance no esporte.

Apenas três semanas depois de iniciar os treinamentos de atletismo, ele participou da primeira competição nacional, o Campeonato Brasileiro Sub-16, realizado em Timbó (SC).

Rômulo Basso ao lado do treinador Cláudio Mendes, que acompanha a trajetória do atleta desde o início no atletismo. - Foto: Rômulo Basso
Rômulo Basso ao lado do treinador Cláudio Mendes, que acompanha a trajetória do atleta desde o início no atletismo. – Foto: Rômulo Basso

A evolução ocorreu rapidamente. Em 2023, Rômulo ficou entre os dez melhores atletas do país na prova dos mil metros com obstáculos, durante o Campeonato Brasileiro Sub-16, em Recife (PE).

Na temporada seguinte, já na categoria Sub-18, conquistou o vice-campeonato da Copa Brasil de Meio-Fundo e Fundo, nos 2 mil metros com obstáculos, em Bragança Paulista (SP). Depois, garantiu a medalha de bronze no Campeonato Brasileiro Interclubes, novamente em Recife.

Lesão, recuperação e retorno ao pódio

Uma nova lesão prejudicou a temporada de 2025 e obrigou Rômulo a interromper os treinamentos no fim daquele ano para realizar o tratamento completo. Recuperado, ele voltou às pistas em 2026 e retomou os bons resultados.

Na Copa Brasil de Meio-Fundo e Fundo Sub-20, o atleta conquistou duas medalhas de prata, nas provas dos 3 mil e dos 5 mil metros. Em julho, voltou ao pódio ao ficar com a prata nos 5 mil metros do Campeonato Brasileiro Sub-20, disputado em Cuiabá.

Nas pistas, Rômulo Basso superou as frustrações do futebol e conquistou uma bolsa para estudar e competir nos Estados Unidos. - Foto: Gustavo Alves
Nas pistas, Rômulo Basso superou as frustrações do futebol e conquistou uma bolsa para estudar e competir nos Estados Unidos. – Foto: Gustavo Alves

O resultado ganhou um significado ainda maior devido aos desconfortos musculares enfrentados nas semanas anteriores à competição.

“Eu só consegui fazer uma preparação forte durante uma semana e meia. Eu achei que não conseguiria, mas fui confiante e de cabeça erguida”, contou.

Depois de não alcançar o desempenho esperado nos 3 mil metros, Rômulo conseguiu se recuperar emocionalmente para disputar os 5 mil metros e garantir a medalha.

Bolsa de estudos nos Estados Unidos

A possibilidade de estudar e competir nos Estados Unidos começou a ser planejada há mais de um ano. Com o apoio de uma agência especializada, Rômulo e a equipe entraram em contato com treinadores e instituições até receberem a proposta da Cumberland University.

No Tennessee, o jovem precisará conciliar aulas, treinamentos e competições. Para continuar disputando provas pela universidade, também deverá manter um bom desempenho acadêmico.

Rômulo Basso veste o uniforme da Cumberland University, onde vai conciliar os estudos com as competições de atletismo. - Foto: Rômulo Basso
Rômulo Basso veste o uniforme da Cumberland University, onde vai conciliar os estudos com as competições de atletismo. – Foto: Rômulo Basso

“Será uma rotina puxada, porque, nos Estados Unidos, eles priorizam muito os estudos. Se eu não tiver um bom desempenho acadêmico, não poderei competir. Vou tentar me adaptar o mais rápido possível, evoluir nos estudos e também no atletismo”, afirmou.

Entre os objetivos para o futuro estão a participação em competições internacionais e o sonho de disputar os Jogos Olímpicos. Rômulo também destaca o orgulho de representar o estado fora do Brasil.

“É uma honra muito grande levar o nome de Cuiabá e de Mato Grosso para as pistas dos Estados Unidos. Essa é uma oportunidade que nem todos conseguem ter”, ressaltou.

Dedicação dentro e fora das pistas

Para alcançar o alto rendimento, Rômulo precisou abrir mão de encontros com amigos e familiares. A rotina de treinamentos, alimentação, preparação física e descanso exigiu disciplina desde cedo.

“Para ter uma alta performance no atletismo, é preciso abdicar de muitas coisas. Tive que fazer várias escolhas para manter o meu desempenho”, explicou.

Segundo o atleta, o apoio dos familiares foi essencial, principalmente durante os períodos de recuperação das lesões. O trabalho desenvolvido no Instituto Águias também contribuiu para sua evolução. A instituição atua nas áreas de iniciação esportiva, qualidade de vida e alto rendimento, além de atender crianças a partir dos seis anos.

Já nos Estados Unidos, Rômulo aconselhou outros atletas que enfrentam frustrações ou dificuldades durante a trajetória esportiva a continuarem acreditando nos próprios objetivos.

“Eu diria para nunca desistirem. Passei por muitos momentos difíceis, lesões e várias situações até chegar aqui. A única coisa que eu falaria é: persistam e nunca desistam. Mesmo que o momento seja muito ruim, levantem a cabeça e sigam firmes”, afirmou.

Para o cuiabano, a dedicação e a persistência são fundamentais para superar os obstáculos encontrados ao longo da carreira.

“Se você se dedicar ao máximo, não desistir e entregar tudo de si, é quase certeza de que dará tudo certo. Então, a palavra que eu deixo é: nunca desistir e persistir”, completou.

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