Artesanato indígena de Mato Grosso movimenta R$ 68 mil na Bienal de São Paulo

O artesanato indígena de Mato Grosso ganhou projeção nacional durante a 22ª edição do Salão do Artesanato – Raízes Brasileiras, realizado entre os dias 13 e 17 de maio, no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. Conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), o artesão indígena Peti Waura, morador da Aldeia Álamo, em Paranatinga, movimentou R$ 68 mil em vendas e encomendas de bancos esculpidos em madeira em apenas um dia de rodada de negócios voltada a arquitetos, decoradores e lojistas.

A reportagem apurou que a comercialização ocorreu durante encontros organizados com compradores de diferentes regiões do país. As peças chamaram atenção pelo acabamento artesanal e pela valorização da cultura indígena produzida no interior de Mato Grosso. Segundo a Sedec, o Estado participa do evento com dois espaços distintos: um estande institucional dos Estados brasileiros e outro coordenado pelo Sebrae/MT.

Feira reúne mais de 700 artesãos do país

O Salão do Artesanato – Raízes Brasileiras é considerado um dos maiores eventos do segmento no Brasil. De acordo com a organização da feira, mais de 700 artesãos de 26 estados e do Distrito Federal participam da edição deste ano. A expectativa é superar os R$ 4,7 milhões em negócios registrados na edição anterior.

A delegação mato-grossense reúne 11 artesãos individuais, associações e núcleos produtivos de municípios como Cuiabá, Tangará da Serra, Nova Mutum, São José do Rio Claro, Santo Antônio de Leverger, Gaúcha do Norte e Paranatinga. Além do artesanato indígena de MT, o grupo levou peças em cerâmica, sementes, madeira e materiais recicláveis.

Comunidades indígenas ampliam renda com artesanato

Segundo a coordenadora de Artesanato da Sedec, Lourdes Josafa Sampaio, a participação em feiras nacionais fortalece a geração de renda e amplia o acesso dessas comunidades ao mercado consumidor.

“O artesanato indígena tem uma aceitação enorme. Um dos nossos artesãos vendeu sozinho R$ 68 mil diretamente da aldeia para arquitetos e lojistas. Isso mostra a força do artesanato mato-grossense e o potencial econômico dessas comunidades”, afirmou.

A coordenadora também destacou que o apoio do Governo de Mato Grosso é essencial para viabilizar a presença dos artesãos em eventos nacionais. Segundo ela, o Governo Federal disponibiliza os espaços expositivos, enquanto os estados assumem despesas como logística, transporte e suporte operacional.

  • Transporte de peças artesanais até os grandes centros;
  • Apoio técnico e institucional aos artesãos;
  • Participação em rodadas de negócios;
  • Ampliação da visibilidade nacional das comunidades produtoras.

Tradição familiar e valorização cultural

Peti Waura trabalha há mais de 20 anos com esculturas em madeira na Aldeia Álamo, em Paranatinga. Conforme relatado pelo artesão durante a feira, cada banco leva cerca de uma semana para ser concluído e os valores variam entre R$ 800 e R$ 5 mil, dependendo do tamanho e da complexidade da peça.

O artesão contou que aprendeu a esculpir ainda na infância e atualmente ensina o filho a continuar o trabalho da família. Para ele, o reconhecimento em São Paulo representa mais do que vendas.

“Desde criança eu trabalho esculpindo madeira. Hoje fico muito feliz vendo minhas peças sendo valorizadas aqui. Tem muitos clientes, arquitetos e decoradores comprando meu trabalho”, relatou.

Ceramistas também comemoram resultados

A ceramista Valéria Menezes participa pela primeira vez da feira nacional e afirmou que a experiência tem ampliado a visibilidade do trabalho artesanal produzido em Mato Grosso. Há 19 anos atuando com cerâmica, ela destacou a importância do incentivo institucional para alcançar novos públicos.

“Esse incentivo é muito importante porque o cliente precisa conhecer nosso trabalho. Estar aqui está sendo muito significativo para mim. Estou vendendo bem e recebendo muitos elogios”, afirmou.

Por que o artesanato indígena de MT ganha espaço no mercado

Especialistas do setor cultural apontam que o crescimento do interesse por peças artesanais ligadas à identidade regional acompanha uma tendência nacional de valorização da produção sustentável e autoral. Dados do Sebrae indicam que o artesanato movimenta bilhões de reais por ano no Brasil e representa fonte de renda para milhares de famílias, especialmente em comunidades tradicionais.

O destaque do artesanato indígena de MT em uma feira nacional reforça o potencial econômico da produção cultural desenvolvida em aldeias e pequenos municípios do estado, além de ampliar o reconhecimento da identidade indígena brasileira em mercados especializados de decoração e arquitetura.

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Reportagem baseada em informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Sebrae/MT e organização do Salão do Artesanato – Raízes Brasileiras.

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