Aos 98 anos, cuiabano que acompanhou todas as Copas do Mundo não perde um jogo do Brasil

A Copa do Mundo passa, os jogadores mudam, mas para alguns torcedores a paixão pela Seleção Brasileira continua a mesma. Aos 98 anos, o aposentado Manoel Ferreira da Silva já acompanhou todas as 23 edições do Mundial desde a primeira, em 1930. Nesta Copa, como faz há décadas, ele parou tudo mais uma vez para assistir ao Brasil e reviver lembranças que atravessam gerações.

Aos 98 anos, seu Manoel Ferreira da Silva mantém a tradição de parar tudo para assistir aos jogos da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo. Foto: TVCA

Manoel é um dos exemplos de que o futebol permanece como uma tradição familiar. Na casa dele, a televisão ganha decoração especial durante a Copa e ninguém perde um jogo da Seleção. A emoção, porém, já foi bem diferente. “É uma competição muito importante. Eu jogava bola descalço no sítio e sempre gostei de futebol. Quando chega a Copa, eu paro para assistir”, relembra.

A memória mais marcante veio de uma época em que nem sempre havia energia elétrica para acompanhar as partidas. Em uma das Copas, a família precisou improvisar para não perder o jogo.

“Tava um frio danado. O Brasil começou perdendo por 2 a 0. A luz acabou e fomos ligar o rádio na bateria de um carro. Não demorou, o Brasil empatou e depois virou para 4 a 2. Até hoje lembro dessa história”, conta, sorrindo.

O amor pelo futebol também atravessou gerações na família de seu Manoel. A filha, Lucilene Ferreira da Silva, lembra que cresceu acompanhando o pai aos estádios e assistindo às partidas da Seleção ao lado dele.

“Ele sempre levava a gente para ver os jogos. Gostava de futebol e passou esse amor para toda a família. Meus irmãos, meus filhos, os netos e bisnetos também gostam”, conta.

Entre lembranças do rádio, histórias de improvisos e a tecnologia dos dias atuais, seu Manoel mostra que algumas paixões realmente não envelhecem. E, para ele, o desejo continua o mesmo de tantas outras Copas.

 José Francelino, de 84 anos, vive no Abrigo Bom Jesus de Cuiabá.
José Francelino, de 84 anos, morador do Abrigo Bom Jesus de Cuiabá.

A paixão também é compartilhada por José Francelino, de 84 anos, morador do Abrigo Bom Jesus. Vestindo a camisa amarela, ele não abre mão de torcer pelo Brasil. “Se depender da torcida, o Brasil já é campeão”, brinca.

No abrigo, nem mesmo um problema no transformador que deixou o local sem energia elétrica desanimou os torcedores. A solução foi reunir os moradores em volta de um tablet para acompanhar a partida entre Brasil e Japão.

Enquanto alguns assistiam em silêncio, outros não escondiam a insatisfação com o desempenho da equipe. “O ataque não funciona”, reclamou um dos aposentados durante o jogo.

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