Aos 9 meses, bebê tem tumor no coração e mãe luta por cirurgia após suspensão de atendimento em MS

Maria Cecília, uma bebê de apenas nove meses, precisa de uma cirurgia cardíaca fora de Mato Grosso do Sul após ser diagnosticada com cardiopatia congênita e um tumor no coração.

Maria Cecília precisa de cirurgia cardíaca que não está sendo realizada em Mato Grosso do Sul. (Foto: Willian Guedes)

A família busca uma vaga em outro estado porque o procedimento não está sendo realizado pelo SUS na Santa Casa de Campo Grande, única unidade credenciada para esse tipo de cirurgia no estado.

Maria Cecília nasceu prematura, com 34 semanas de gestação. A gravidez foi uma surpresa para a mãe, que só descobriu que estava grávida aos oito meses. Após a descoberta, veio outra surpresa: ainda na maternidade, a bebê foi diagnosticada com uma cardiopatia congênita.

Enquanto aguarda uma solução, a mãe, Raissa Vieira da Silva Santos, vive a angústia de acompanhar o agravamento dos sintomas da filha.

“Apareceu a cardiopatia, o buraquinho no coração. Desde então, era para operar com seis a sete meses, né? Então estava tudo normal, foi crescendo saudável. Só que ela começou a suar muito, esses tempos atrás, faz umas três semanas que ela suou muito, muito para mamar, mamava cansada, a boca dela começou a ficar roxa. Então eu levei ela para uma consulta simples ali no Tiradentes mesmo”.


Raissa Vieira da Silva Santos, dona de casa

E foi nesta consulta que Raissa, que é mãe solo, descobriu que o problema era ainda mais grave, pois além da cardiopatia, os exames identificaram um tumor no lado esquerdo do coração.

“Quando eu descobri, eu falei, meu Deus, e agora? Porque ela já é pequena, o coração dela é pequeno e um tumor mais de cardiopatia, eu pensei, eu vou perder a minha filha. Toda vez que a gente vai fazer um raio-x e uma ressonância, ele sempre está crescendo mais um pouco. O que era desse tamanhinho, está ficando maior e fica pressionando o coração dela, não está bombeando sangue”.

Raissa Vieira da Silva Santos, dona de casa

Cirurgia suspensa em MS

O caso de Maria Cecília se torna ainda mais delicado porque a cirurgia de que ela precisa não está sendo realizada atualmente pelo SUS em Mato Grosso do Sul. A Santa Casa de Campo Grande é o único hospital credenciado pelo sistema público no estado para esse tipo de procedimento, mas o atendimento está interrompido.

Maria Cecília precisa de cirurgia cardíaca que não está sendo realizada em Mato Grosso do Sul. (Foto: Willian Guedes)
Maria Cecília precisa de cirurgia cardíaca que não está sendo realizada em Mato Grosso do Sul. (Foto: Willian Guedes)

A suspensão ocorreu durante as negociações de um novo contrato entre o hospital e o poder público. Segundo a direção da Santa Casa, a retomada das cirurgias depende de um acordo com o governo estadual e a Prefeitura de Campo Grande, incluindo a definição dos recursos necessários para manter o serviço.

De acordo com o gestor do hospital, Luiz Alberto Hiroki Kanamura, as negociações podem ter impactos que vão além das cirurgias cardíacas pediátricas e atingir outros serviços de assistência materno-infantil.

“Como isso já está decidido, eu não tenho como fazer, a decisão é de desativar o serviço cardíaco congênito. Nós não vamos ter. Obviamente, se você for pegar a rede RUE [Rede de Atenção às Urgências e Emergências], isso me desobriga a ter alguns outros serviços, porque eu não tenho congênita e não posso ter, por exemplo, gestação de alto risco. Se eu não tiver gestação de alto risco, me desobriga a ter UTI neonatal. Tudo isso vai ser negociado com o Estado Municipal para que eles aportem, se quiser que a gente mantenha, a prestação, recursos nisso daí”.

Luiz Alberto Hiroki Kanamura, gestor da Santa Casa

Sem conseguir uma solução para o tratamento em MS, Raissa recorreu à Defensoria Pública, que conseguiu na justiça uma liminar para garantir a cirurgia, mas as vagas localizadas até agora ficam em hospitais do Paraná, e do interior de São Paulo.

“Eu não consigo dormir direito, porque ela tem refluxo, muitas das vezes durante a noite ela se engasga, então já foi umas três vezes que eu tive que ligar para a ambulância vir. Eu não sei muito o que fazer, para onde correr, eu sou sozinha, não sei, eu não tenho com quem falar assim, ó, você tem que fazer isso.
Como é apenas eu e ela, não tem o que fazer, todo dia eu fico olhando para ela, às vezes quando ela tem um engasgo, tem um refluxo, uma febre, eu não tenho o que fazer”.

Raissa Vieira da Silva Santos, dona de casa

Para ajudar nos custos da viagem, e na recuperação da pequena Maria Cecília, Raissa está fazendo uma rifa solidária. Interessados em ajudar podem entrar em contato no telefone (67) 992110420.

O que dizem as autoridades?

Em relação a suspensão das cirurgias cardíacas congênitas na Santa Casa, o Governo do Estado informou que discute alternativas com a Prefeitura de Campo Grande para viabilizar uma nova equipe e garantir a continuidade dos procedimentos.

Já o município afirmou que segue nas negociações para manter o serviço pelo SUS e evitar a desassistência dos pacientes. Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde não respondeu aos questionamentos sobre quais medidas podem ser adotadas para assegurar a oferta da cirurgia cardíaca pediátrica em Mato Grosso do Sul.

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