Depois de várias tentativas da família para conseguir uma inscrição, Paola Nunes Caldas, de 11 anos, vai participar pela primeira vez da Corrida do Reizinho, neste domingo (11). A menina, que tem paralisia cerebral, está entre as crianças com deficiência inscritas na 16ª edição do evento, que reunirá mil participantes, sendo que 10% das vagas são para esse público.
Para a mãe, Andrea Campos Nunes Caldas, a confirmação da inscrição trouxe alegria e a oportunidade de realizar um desejo antigo. Segundo ela, esta será a última edição em que a filha poderá participar, porque, aos 12 anos, ultrapassará a idade permitida.
“Eu fiquei muito feliz porque eu tentei várias vezes mesmo. Eu sempre falava para o meu esposo para a gente colocá-la e não conseguia”, conta.
Desta vez, Andrea pediu ajuda ao filho para fazer a inscrição da irmã. Quando soube da reserva de vagas para crianças com deficiência, viu uma nova chance de garantir a participação de Paola.
Entre terapias e descobertas
Paola nasceu prematura e passou semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Aos 15 dias de vida, enfrentou uma infecção generalizada que evoluiu para um quadro de paralisia cerebral.
Andrea lembra que precisou aprender a lidar com uma realidade que até então desconhecia. Nos primeiros anos, esperava que a filha começasse a sentar e a conversar. Com o tempo, passou a reconhecer cada avanço no desenvolvimento da menina.

“O pouco que ela desenvolveu, para nós, é muito. E ela é uma criança que entende tudo”, afirma.
A rotina de Paola inclui terapias de segunda-feira a sábado, pela manhã. Entre as atividades de que mais gosta está a equoterapia, que envolve o contato com cavalos. Ela também pratica hidroterapia, embora esteja temporariamente afastada dessa atividade, segundo a mãe.
Agora, a corrida entra nessa rotina como uma oportunidade de lazer e convivência com outras crianças.
Direito de brincar e conviver
Para o pedagogo Alex Francisco, que também é uma pessoa com deficiência, a participação em eventos como a Corrida do Reizinho ajuda a aproximar crianças com diferentes realidades e a construir o respeito às diferenças desde cedo.
“É um momento oportuno para as crianças com e sem deficiência conviverem entre si num momento de entretenimento, de lazer e, acima de tudo, de respeitar as diferenças”, explica.
Alex defende que essas oportunidades se estendam a outras atividades. Para ele, o acesso ao esporte, à recreação e à interação social deve fazer parte da infância das crianças com deficiência.

É também o que Andrea deseja para a filha. Ela deixou de trabalhar após o nascimento de Paola para se dedicar aos cuidados da menina e busca oferecer experiências que contribuam para sua autonomia.
“Eu quero que ela participe de tudo, independentemente da limitação que ela tem”, diz.
A 16ª edição da Corrida do Reizinho será realizada neste domingo (11), com a participação de mil crianças de diferentes idades. Do total de vagas, 100 foram reservadas para crianças com deficiência, que também participarão da programação esportiva.
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