Amaggi compra 40% da FS Bio por US$ 1 bilhão e assume o controle do etanol de milho

Transação bilionária envolve aporte primário e parcelas secundárias, consolidando a infraestrutura logística de Mato Grosso na liderança da transição energética.

Em uma das maiores movimentações do agronegócio em 2026, a Amaggi confirmou sua entrada oficial no mercado de biocombustíveis em grande estilo. A companhia da família Maggi está desembolsando a impressionante cifra de US$ 1 bilhão para adquirir 40% do capital social da FS Bio, pioneira e gigante da produção de etanol de milho no Brasil. O negócio agora aguarda o aval regulatório do CADE.

A transação foi desenhada de forma estratégica: envolve uma tranche primária de US$ 100 milhões injetados direto no caixa, enquanto a parcela secundária será liquidada em três parcelas anuais consecutivas a partir do closing da operação. O movimento une a liderança em originação de grãos da Amaggi com a expertise em processamento e nutrição animal da FS.

Sinergia perfeita entre originação e biocombustível

A aproximação faz todo o sentido de mercado. A Amaggi é a maior potência brasileira em grãos e fibras, dominando a cadeia que vai da produção à logística de exportação e energia. Do outro lado, a FS Bio, controlada pelo grupo norte-americano Summit Agricultural, foca em biocombustíveis de alto rendimento.

“Estou confiante no que estamos construindo juntos, especialmente no alinhamento de valores, na visão de longo prazo e na capacidade de execução que fundamentam este negócio,” declarou Blairo Maggi, acionista e um dos fundadores da Amaggi, ressaltando o foco na segurança institucional da parceria.

Fundada em 2017, a FS Bio possui números que impressionam o mercado global. Com faturamento líquido que atingiu R$ 12,8 bilhões no fechamento de 2025, a empresa processa mais de 6 milhões de toneladas de milho por safra, convertendo o grão em 2,6 bilhões de litros de etanol anualmente. No entanto, o grupo carregava um endividamento na casa dos R$ 10 bilhões e buscava um parceiro estratégico.

Antes do desfecho com a Amaggi, a FS viveu um namoro intenso com a Petrobras no final de 2025. A estatal estava disposta a pagar US$ 1,3 bilhão por uma fatia minoritária e chegou a concluir as etapas de due diligence, mas o conselho de administração da petroleira barrou o casamento de última hora.

Para analistas do setor, o desfecho atual foi ainda melhor para a FS devido às vantagens competitivas da nova estrutura:

  • Originação Garantida: A Amaggi fornece o milho direto de suas redes de produtores parceiros;
  • Logística Afiada: Uso da malha de transporte e portos controlados pela família Maggi;
  • Custo de Capital Menor: A solidez financeira da Amaggi permite renegociar as dívidas da FS sob taxas bem mais baratas;
  • Infraestrutura em Expansão: A FS já opera três usinas, inaugura a quarta unidade ainda em 2026 e se prepara para o futuro.

Da guinada solo ao investimento certeiro

A Amaggi vinha estudando o mercado de etanol de milho há anos, acompanhando o avanço das políticas públicas de transição energética no país. Em setembro do ano passado, a empresa chegou a anunciar uma Joint Venture com a Inpasa para construir três usinas com investimento de R$ 6,9 bilhões.

Entretanto, divergências profundas nas cláusulas de governança corporativa melaram o negócio pouco mais de um mês após o anúncio. Na ocasião, a Amaggi declarou que seguiria sozinha nos investimentos em usinas — plano que agora ganha tração máxima com a compra da fatia da FS Bio.

Tecnologia carbono zero estreia em Lucas do Rio Verde

A FS Bio se destaca também na vanguarda ambiental. Em setembro de 2026, a companhia vai inaugurar sua primeira unidade de captura e armazenamento de carbono (BECCS) na planta industrial de Lucas do Rio Verde. O sistema terá capacidade para isolar 423 mil toneladas de carbono por ano.

Essa tecnologia tem ligação direta com as operações globais de Bruce Rastetter, fundador do Summit Agricultural Group e sócio da FS. Rastetter, que possui fortes laços com o governo americano, lidera nos EUA o megaprojeto da Summit Carbon Solutions, um duto de 3,5 mil km para transportar carbono capturado em 57 usinas no Meio-Oeste americano.

Bancos e bancas de advocacia nos bastidores

A engenharia financeira por trás do negócio movimentou grandes nomes do mercado corporativo. Do lado da FS Bio, atuaram na assessoria financeira e jurídica o Banco Santander, a Evercore e o escritório Mattos Filho. Já a Amaggi contou com o suporte estratégico do Santos Neto Advogados.

Com as assinaturas colhidas, o agronegócio de Mato Grosso redesenha o mapa da energia renovável no Brasil, provando que o milho do Cerrado consolidou-se em definitivo como o combustível do futuro.

Com informações de Brazil Journal.

 

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