agrônomo flagra cena rara de duas onças mortas em rodovia entre Sorriso e Tapurah

O engenheiro agrônomo André Martelli, de 32 anos, flagrou uma cena rara de duas onças-pintadas mortas às margens da rodovia MT-560, entre Sorriso e Tapurah, nessa quinta-feira (27). A suspeita é que as onças tenham sido vítimas de um atropelamento ao tentarem atravessar a via. Uma delas teve uma das patas mutilada.

Duas onças foram atropeladas e mortas em rodovia de MT. – Foto: reprodução/ Manual do Soja

O Primeira Página procurou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) questionando se a pasta irá investigar o caso, mas não teve retorno até a publicação.

André contou que saiu de Sorriso por volta das 6h da manhã, com destino a uma fazenda em Nova Maringá. Ele estava acompanhado de outro agrônomo quando, na altura do km 70, passou pelo trecho onde os animais estavam.

“Eu estava a uns 110 km/h e a gente estava conversando. Uns dez segundos depois, eu olhei para ele e falei: ‘cara, você viu duas onças ali também?’”, relatou André.

Sem acreditar no que tinha visto, decidiu retornar. “Eu nunca vi nenhuma onça morta nesse trecho em 20 anos que ando por essa estrada. Quem dirá duas.” André disse ainda acreditar que as onças sejam mãe e filha. Veja o vídeo abaixo:

Segundo o agrônomo, havia indícios de atropelamento e que poderia ter ocorrido pouco tempo depois dele ter passado pelo local. Apesar da gravidade, André acredita que o atropelamento tenha sido acidental.

O registro foi compartilhado pelo perfil “Destinos Turísticos” no Instagram e mostra os animais mortos às margens da pista.

Balanço da Sema

Dados da Coordenadoria de Fauna e Recursos Pesqueiros da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema) mostram que, em 2024, o órgão gastou mais de R$ 84 mil no atendimento de 90 ocorrências envolvendo animais atropelados, dentro de um total de 1.671 atendimentos realizados em todo o Estado.

Ao todo, 33 espécies silvestres vítimas de atropelamento foram registradas. Os números consolidados de 2025 ainda não foram divulgados.

Somente na Estrada Parque Transpantaneira, entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025, foram contabilizados 102 animais mortos na pista ou no acostamento, sendo 24 mamíferos, 24 aves, 40 répteis e 14 anfíbios.

Crime ambiental

Matar, caçar ou perseguir animais silvestres sem autorização é crime ambiental no Brasil, conforme prevê a Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. A legislação estabelece pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa. Projetos em discussão no Congresso Nacional propõem o aumento da punição para reclusão de dois a cinco anos.

O atropelamento de espécies como a onça-pintada, símbolo do Pantanal e considerada vulnerável à extinção em algumas regiões, reforça a necessidade de medidas preventivas, como sinalização adequada, redutores de velocidade e instalação de passagens de fauna em trechos críticos.

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