Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia finalmente tem data para começar, mesmo que provisoriamente: 1º de maio de 2026. A entrada em vigor foi confirmada pelo governo federal, após a conclusão dos trâmites formais junto da União Europeia, incluindo a troca de notificações entre os países integrantes do bloco.
O Brasil comunicou oficialmente à Comissão Europeia na última quarta-feira (18), sobre a conclusão dos procedimentos internos, após a publicação do decreto sobre a parceria. A resposta europeia veio nesta terça-feira (24), cumprindo os requisitos previstos no texto do acordo, para que a vigência provisória possa começar a valer.
Agora, o país avança na etapa final, com o decreto em fase avançada, que tornará o acordo plenamente válido em território brasileiro. Do lado europeu, a Comissão informou ter encaminhado a documentação ao Paraguai, sendo o último passo necessário para a implementação.
Brasil, Argentina e Uruguai já concluíram seus processos de ratificação, enquanto o Paraguai deve formalizar a notificação em breve.
Impacto econômico
A entrada em vigor do acordo representa uma mudança significativa na inserção internacional do Brasil. Na prática, o tratado amplia o acesso de empresas brasileiras a um dos maiores mercados consumidores do mundo, ao mesmo tempo em que facilita a entrada de produtos europeus no país.
Entre os principais efeitos esperados estão a redução gradual de tarifas de importação e exportação e a eliminação de barreiras não tarifárias. Segundo especialistas, esses fatores podem estimular investimentos estrangeiros, fortalecer cadeias produtivas e ampliar a competitividade de setores estratégicos da economia brasileira.
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em janeiro de 2026, aponta que o Brasil pode passar de 8% para 36%, de impacto nas importações globais de bens, já que o bloco europeu responde por 28% do comércio mundial em 2024.
Por outro lado, especialistas apontam que o aumento da concorrência no mercado interno também exigirá maior eficiência das empresas nacionais, sobretudo diante da entrada facilitada de produtos europeus com alto padrão de qualidade e competitividade.
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