Um momento de desespero na zona rural de Sorriso (MT) transformou-se em um ato de bravura graças ao preparo e à determinação de Luiza Lemanski Colella, de apenas 13 anos, nessa segunda-feira (02). A adolescente usou os conhecimentos adquiridos em um projeto social do Corpo de Bombeiros para manter vivo um bebê de apenas um ano e três meses que havia se afogado em um tanque de peixes.
A ação rápida e a sincronia entre mãe e filha foram fundamentais para evitar uma tragédia. Ao perceber a gravidade da situação e o estado crítico da criança, que estava desacordada e arroxeada, a mãe de Luiza, Fabiane Aparecida Lemanski, encorajou a filha a agir imediatamente enquanto assumia a direção do veículo em busca de socorro médico.
“Quando isso aconteceu, eu automaticamente acreditei nela e falei: ‘Filha, bota em prática o que você aprendeu. Você sabe os procedimentos e o neném precisa de você’”, relatou Fabiane ao Primeira Página.
Durante o trajeto até o ponto de encontro com os socorristas, a mãe manteve o apoio emocional constante, pedindo para que a filha não desistisse, apesar do cansaço. “A todo momento eu dizia: ‘continua, não deixa ele dormir, você precisa mantê-lo acordado’”.
Movida pela determinação e pelo treinamento, Luiza assumiu a responsabilidade de realizar as manobras de salvamento no banco de trás do carro. A adolescente contou que a reação da criança e a confiança da mãe foram o combustível para não parar, mesmo diante do cansaço físico.
“Eu falava para minha mãe: ‘Eu não vou deixar essa criança morrer. Ela não vai morrer nos meus braços, ela vai sobreviver para depois poder contar essa história’”, declarou a adolescente.
A conexão profunda e a relação de cumplicidade entre mãe e filha foram apontadas por Fabiane como determinantes para a confiança mútua naquele momento extremo. Ao relembrar o orgulho da filha, a mãe descreveu Luiza como uma menina dedicada e especial em todas as áreas da vida.
“A gente tem uma conexão muito grande, uma aproximação que é além do universo. A Luiza é uma criança diferenciada, maravilhosa nos estudos, na dedicação e em casa. Eu super apoiei e super confiei nela”, destacou Fabiane, emocionada ao ver o potencial da filha se converter no salvamento de uma vida.
A jovem informou que fez os procedimentos de emergência até a chegada dos bombeiros e que ficou muito cansada do esforço repetitivo feito. Contudo, ela explicou que isso só foi possível graças ao treinamento no Projeto Bombeiros do Futuro e que conseguiu manter a tranquilidade justamente pelos ensinamentos. Confira vídeo:
Conheça o projeto
A oportunidade de adquirir os conhecimentos que salvaram o bebê surgiu por meio de uma ponte familiar. Fabiane contou que soube da iniciativa por meio da sogra, que trabalhava no batalhão dos bombeiros.
Ao saber da abertura das inscrições, incentivou a filha a participar. Ela contou que o que Luiza aprendeu era mais para garantir uma segurança ao longo da sua vida e que nunca imaginou que a adolescente teria que utilizá-los tão precocemente.
A preparação que permitiu a ação faz parte de uma iniciativa concebida a partir de uma visão institucional para transformar a realidade local e combater problemas sociais, como a violência e a criminalidade. O projeto Bombeiros do Futuro busca criar empatia com a profissão de bombeiro militar e fomentar uma cultura de paz, não violência e prevenção de acidentes e sinistros.
Oferecido anualmente nas Unidades Bombeiros Militares (UBMs), o curso é totalmente gratuito para os participantes e seus responsáveis. Com uma carga horária de 132 horas-aula ministradas no contraturno escolar, as formações abrangem disciplinas de história do bombeiro, noções de salvamento, primeiros socorros e educação ambiental.
As turmas atendem crianças e adolescentes na faixa etária de 8 a 12 anos, organizadas em pelotões de até 35 alunos, garantindo que o aprendizado prático chegue à comunidade e salve vidas fora das salas de aula.

Relembre o caso
O incidente ocorreu na tarde de segunda-feira (02), em uma propriedade no assentamento Poranga, localizado na zona rural de Sorriso (MT). A mãe do bebê de um ano e três meses tentava colocar o outro filho, de dois anos, para dormir em uma rede. Como o menino não quis dormir, a mãe pediu que ele fosse brincar com o irmão mais novo. Pouco tempo depois, a criança de dois anos encontrou o irmão menor boiando nas águas de um tanque de peixes da propriedade.
O pequeno foi retirado da água, desacordado, com o rosto e o corpo roxos e com sinais claros de afogamento. Diante da emergência, a família do bebê e os moradores da propriedade iniciaram o deslocamento de carro em direção à zona urbana da cidade para buscar socorro, enquanto acionavam o Corpo de Bombeiros.
No caminho, no banco do veículo, Luiza realizou as manobras de primeiros socorros que permitiram que a criança recuperasse a consciência e continuasse respirando.
O encontro com a equipe de resgate ocorreu na praça de pedágio da rodovia BR-163. A criança foi transferida para a ambulância do Corpo de Bombeiros, onde recebeu os cuidados médicos pré-hospitalares.
Segundo relatos da equipe de resgate, o menino deu entrada consciente, porém apresentando dificuldade respiratória por ter ingerido grande quantidade de água. Em seguida, a criança foi encaminhada ao Hospital Regional de Sorriso para atendimento médico especializado.
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