
O combate ao bullying e a construção de relações mais respeitosas foram temas de uma atividade que reuniu 43 estudantes da Escola Estadual Santa Rosa – Anexa Bento Alexandre, em Santa Fé d’Oeste. Os alunos participaram de um Círculo de Paz voltado à reflexão sobre empatia, respeito às diferenças e convivência escolar.
Com o tema “Bullying: respeito, empatia e convivência escolar”, o encontro foi conduzido pela agente da infância Sandra Lima, de São José dos Quatro Marcos, município localizado a 308 quilômetros de Cuiabá. A atividade envolveu turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio.
Bullying motivou iniciativa na escola
A realização do Círculo de Paz partiu de situações identificadas no cotidiano escolar, como dificuldades de relacionamento, falta de empatia, desrespeito e relatos de bullying entre estudantes.
Segundo a professora Fátima Gutierrez da Silva, que atua no Ensino Fundamental e Médio, a equipe percebeu a necessidade de tratar o assunto de forma mais próxima dos alunos. Um estudante do Ensino Médio chegou a relatar que estava sofrendo bullying, o que reforçou a importância de promover uma conversa sobre o problema.
“Os professores observam constantemente essas questões, como bullying, falta de empatia e de respeito e indisciplina. Inclusive, tivemos um aluno do Ensino Médio que relatou estar sofrendo bullying. Por isso, solicitamos a presença da agente da infância para desenvolver essa atividade com eles”, explicou a professora.
Diálogo e empatia no ambiente escolar
Em vez de uma palestra convencional, a metodologia dos Círculos de Paz abriu espaço para que os estudantes participassem ativamente. Por meio de perguntas orientadoras e reflexões sobre virtudes, os alunos puderam compartilhar experiências, dificuldades e expectativas para o futuro.
Uma das mensagens utilizadas como ponto de partida para a conversa foi uma frase atribuída a Mahatma Gandhi: “Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”. A reflexão ajudou a discutir como atitudes cotidianas podem contribuir para relações mais saudáveis.
De acordo com Sandra Lima, a proposta foi estimular os participantes a reconhecer e praticar virtudes, além de avaliar o próprio comportamento. A agente destacou que os estudantes tiveram espaço para falar sobre suas fragilidades e trocar experiências em um ambiente de escuta.
Outro ponto abordado foi a importância do amor-próprio na construção de relacionamentos saudáveis. A atividade também buscou mostrar que o bullying provoca consequências tanto para quem sofre as agressões quanto para quem as pratica.
Conscientização precisa continuar
Para Fátima Gutierrez, o formato favoreceu a participação dos estudantes, que se mostraram mais à vontade para conversar e interagir. A professora avaliou que a abordagem permitiu tratar o bullying de maneira diferente das atividades tradicionais.
Ela também defendeu que a prevenção do bullying na escola não deve ficar restrita a uma ação isolada. O trabalho de conscientização, segundo a educadora, precisa ser retomado com frequência, por meio de novas conversas e orientações.
“É um trabalho de formiguinha, que precisa ter continuidade. Temos que falar sempre sobre essas questões, repetir, porque é necessário reforçar esses ensinamentos. Se houvesse mais momentos como esse, seria muito relevante e importante para os alunos”, afirmou.
A iniciativa reforça o papel do diálogo na prevenção de conflitos e na promoção de um ambiente escolar mais acolhedor, no qual estudantes possam reconhecer situações de violência e desenvolver relações baseadas no respeito e na responsabilidade.