Cacique de MT faz apelo às autoridades após mortes de indígenas

O cacique Megaron Txucarramãe, escolhido para liderar a continuidade do legado do cacique Raoni Metuktire, fez um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a outras autoridades brasileiras para que adotem medidas urgentes diante dos assassinatos, ameaças e ataques contra comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul.

Em vídeo divulgado pelo Instituto Raoni, Megaron cobra providências para proteger os povos Guarani e Kaiowá e impedir novos episódios de violência. “Não pode acontecer mais esse conflito, essa matança. Não queremos conflito, não queremos matança”, afirmou.

Segundo informações divulgadas pelo Instituto Raoni, ao menos três indígenas foram mortos em casos de suspeita de violência política, conforme dados atribuídos ao governo federal. Já o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apontou cinco assassinatos sob investigação no Mato Grosso do Sul desde 24 de outubro.

As circunstâncias das mortes e a possível relação com o cenário político ainda estão sendo investigadas. Além dos assassinatos, comunidades indígenas denunciaram ameaças de envenenamento de fontes de água e manifestações racistas após o resultado das eleições.

No vídeo, Megaron também alerta para o risco de os conflitos se espalharem para outras regiões do país.

“Pode espalhar, pode espalhar para outro estado. Não queremos conflito, não queremos matança. Chega, chega. Queremos viver em paz”, declarou.

A violência contra os povos Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul está relacionada a um histórico de disputas por terras tradicionais, marcado por denúncias de ataques armados, ameaças e assassinatos de lideranças indígenas.

Aldeia Dolowikwa em MT. (Foto: Arquivo pessoal)

De acordo com o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025, do Cimi, o estado registrou 37 assassinatos e 18 tentativas de assassinato de indígenas naquele ano.

Em manifestação pública, o Instituto Raoni prestou solidariedade às comunidades atingidas e reforçou o pedido de investigação dos crimes, responsabilização dos envolvidos e avanço na demarcação das terras indígenas.

Ao encerrar o apelo, Megaron voltou a pedir que as autoridades garantam a segurança dos povos originários.

“Queremos viver dentro das nossas terras em paz. Sem problema, sem conflito, sem invasão, sem ameaça. É isso que eu quero pedir para você, presidente Lula, e autoridades brasileiras.”

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