O empresário Idemar Santos, conhecido como Alemão, de Sorriso (MT), publicou um vídeo nas redes sociais com ataques a nordestinos e paraenses após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25). Na gravação, ele chama o Nordeste de “câncer do Brasil”, diz sentir nojo dos moradores da região e chega a desejar que morram de fome.
Após a repercussão das declarações, o empresário divulgou outro vídeo, na segunda-feira (26), pedindo desculpas e alegando que estava bêbado.
As declarações foram feitas após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, em que Lula derrotou Flávio Bolsonaro (PL).
No primeiro vídeo, o empresário demonstra revolta com o resultado das urnas e direciona uma série de ofensas aos eleitores nordestinos, responsabilizando a região pela vitória do candidato petista. “Eu quero que morram de fome essas desgraças. Esse câncer do Brasil que é o Nordeste do Brasil. Eu tenho nojo desse povo nordestino”, afirmou. Veja abaixo:
Ele também manifestou o desejo de que nordestinos não se mudassem para Mato Grosso, utilizando expressões ofensivas para se referir aos moradores da região.
Além dos nordestinos, Idemar atacou os paraenses e eleitores do PT, com insultos relacionados à origem regional e à preferência política.
Empresário alegou embriaguez e pediu desculpas
Na noite de segunda-feira (26), após a circulação do primeiro vídeo nas redes sociais, Idemar publicou uma nova gravação em que reconheceu ter ultrapassado os limites e pediu desculpas às pessoas ofendidas.
Ele afirmou que estava sob efeito de álcool quando fez as declarações e atribuiu o comportamento ao nervosismo provocado pelo resultado das eleições.
“Estava descontrolado, estava bêbado. Sei que eu apelei com os nordestinos, sei que eu falei demais, sei que eu falei o que não devia”, declarou.
O empresário disse que decidiu se manifestar novamente depois de perceber a repercussão negativa do vídeo e o constrangimento provocado pelas ofensas.
“Muitos nordestinos se sentindo ofendidos, se sentindo humilhados. E eu, vendo aquilo ali, não me senti bem também. Acho que fiz errado, que fiz bobagem, que fiz besteira”, afirmou.
Idemar também reconheceu que suas declarações atingiram moradores do Pará e disse que a disputa política não justificava os ataques. “Eu sei que política às vezes leva a gente a fazer umas loucuras, mas eu ultrapassei os limites”, disse.
Ao final da gravação, voltou a pedir perdão e afirmou que agiu por impulso. “Agi errado, agi na emoção, no calor, no nervosismo e no álcool na cabeça. Então, a gente tem que ser humilde e reconhecer o erro”, concluiu. Veja o vídeo:
Ataques por origem regional podem configurar crime
A legislação brasileira prevê punições para práticas discriminatórias relacionadas à procedência nacional, conceito que pode abranger discriminação contra pessoas em razão de sua origem regional.

A Lei nº 7.716/1989 trata de crimes resultantes de preconceito e discriminação, incluindo condutas relacionadas à procedência nacional.
A eventual responsabilização criminal pelas declarações depende da análise das circunstâncias do caso pelas autoridades competentes.
Até o momento, não há informação confirmada sobre registro de ocorrência ou abertura de investigação relacionada aos vídeos.
Centro de Tradições Nordestinas repudia ataques em MT
Os ataques contra nordestinos após a reeleição de Lula também provocaram reação em Lucas do Rio Verde, município localizado na região norte de Mato Grosso, assim como Sorriso. O Centro de Tradições Nordestinas (CTN) divulgou uma nota de repúdio após a circulação de mensagens ofensivas e ameaças contra migrantes em grupos de mensagens e redes sociais.

Segundo a entidade, as publicações incluíam manifestações preconceituosas, propostas de boicote a comerciantes por posicionamento político e até referências à possibilidade de impedir a chegada de ônibus com migrantes à cidade.
Em nota, o CTN afirmou que “preconceito não é opinião” e que “intimidação não é democracia”. A instituição também destacou que Lucas do Rio Verde foi construída com a contribuição de trabalhadores de diferentes regiões do Brasil e que divergências políticas não justificam discriminação ou ameaças.
Diante da repercussão, a entidade informou que encaminhará os registros às autoridades competentes e poderá adotar medidas judiciais contra os responsáveis, caso sejam identificadas condutas ilícitas.
“Lucas do Rio Verde não pertence a um partido político. Pertence a todos os cidadãos que aqui vivem, trabalham e contribuem para seu desenvolvimento. A divergência política faz parte da democracia. O preconceito e a intimidação, não!”, declarou o CTN.
A manifestação da entidade ocorreu em meio à circulação de diferentes publicações contra nordestinos na região. Não há informação de que a nota tenha sido motivada especificamente pelo vídeo do empresário Idemar Santos, de Sorriso.
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