O que parecia uma oportunidade de reformar o sofá por um preço abaixo do mercado terminou em prejuízo para pelo menos 21 consumidores em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, dois homens, de 27 e 45 anos, anunciavam serviços baratos de tapeçaria nas redes sociais, recolhiam os móveis nas casas dos clientes e exigiam pagamento antecipado por PIX ou cartão de crédito. Depois, não realizavam as reformas e, em muitos casos, sequer devolviam os estofados. Quando cobrados, apresentavam desculpas e acabavam bloqueando as vítimas.
Os dois são investigados na Operação Tapeçaria do Crime 2, deflagrada nesta quarta-feira (14) pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon). A Justiça decretou a prisão preventiva de ambos. Um dos investigados já estava preso desde abril deste ano, quando foi alvo da primeira fase da operação, também relacionada a suspeitas de fraudes em reformas de estofados.
Como funcionava o suposto golpe dos sofás?
De acordo com as investigações, os suspeitos atraíam clientes por meio de anúncios nas redes sociais, oferecendo restauração de sofás, poltronas e cadeiras com preços inferiores aos praticados no mercado e prazos de entrega muito curtos.
Após o primeiro contato, os homens se apresentavam como prestadores de serviços e iam até as residências para recolher os móveis. O pagamento era solicitado antecipadamente, geralmente por PIX ou cartão de crédito.
O problema começava quando chegava a data combinada para a devolução. Segundo a polícia, os serviços não eram realizados e os suspeitos passavam a apresentar justificativas, como falta de materiais e problemas operacionais. Com a insistência dos clientes, interrompiam o contato e bloqueavam as vítimas.
Vítimas encontraram sofás abandonados e destruídos
Além de perderem o dinheiro pago pela reforma, algumas vítimas encontraram seus móveis abandonados, desmontados e deteriorados em galpões utilizados pelos investigados.
A situação foi ainda mais prejudicial para consumidores que precisaram comprar novos sofás enquanto continuavam pagando as parcelas das reformas que nunca foram entregues.
Segundo a Polícia Civil, o esquema atingiu principalmente idosos e famílias de baixa renda, que chegaram a comprometer parte significativa do orçamento com os serviços contratados.
As investigações identificaram pelo menos 21 vítimas diretas, além de dezenas de ocorrências com relatos semelhantes. O prejuízo financeiro total ainda está sendo apurado.

Suspeitos mudavam de endereço para dificultar localização
A Polícia Civil descobriu que os investigados mudavam constantemente as razões sociais e os endereços utilizados para oferecer os serviços. Eles também divulgavam localizações falsas nas redes sociais, estratégia que, segundo a investigação, dificultava a fiscalização e a localização pelos clientes e pela polícia.
Diante dos indícios reunidos, a Justiça determinou não apenas as prisões preventivas, mas também proibiu os dois homens de exercer qualquer atividade econômica relacionada à tapeçaria.
A restrição inclui confecção, reforma, restauração e comercialização de estofados, tanto diretamente quanto por intermédio de terceiros.
Os investigados poderão responder por estelionato qualificado, crime cuja pena pode chegar a oito anos de prisão, além de multa. A polícia continua investigando o caso para identificar outras possíveis vítimas e calcular o prejuízo provocado pelo esquema.
Foi vítima? Saiba como denunciar
Consumidores que tenham passado por situações semelhantes podem procurar a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), localizada na Rua General Otávio Neves, nº 69, bairro Duque de Caxias I, em Cuiabá.
O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Também é possível encaminhar denúncias pelo e-mail decon@pjc.mt.gov.br, registrar boletim de ocorrência pela Delegacia Digital ou ligar para o telefone 197.
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