Produtores descartam quase mil litros de leite após falhas no fornecimento de energia em assentamento

Moradores do Assentamento Volta Redonda, localizado a cerca de 60 quilômetros de Nova Alvorada do Sul e 200 quilômetros de Campo Grande, acumulam prejuízos devido à interrupção no fornecimento de energia elétrica registrada desde sábado (10) na região. A situação já provocou a perda de cerca de litros de leite, principal fonte de renda de diversas famílias da comunidade, além de alimentos que dependem de refrigeração para conservação.

Segundo levantamento realizado pelos próprios moradores, pelo menos 11 produtores foram afetados diretamente e relataram perdas que somam cerca de 998 litros de leite. A estimativa, no entanto, pode ser ainda maior, já que nem todos os produtores conseguiram informar os prejuízos devido às dificuldades de comunicação causadas pela falta de energia.

A produtora de leite Janaína da Silva Morais afirma que a situação tem causado transtornos e prejuízos financeiros significativos para as famílias da região.

“Somos pequenos produtores e estamos tendo muita perda por conta dessa energia. O dinheiro que eu perdi de leite era o dinheiro da conta de energia”, desabafa.

Litros de leite precisaram ser descartados por ficarem sem refrigeração (Foto: Leitor de Primeira)

De acordo com ela, o assentamento reúne mais de 150 famílias, e grande parte delas depende da produção leiteira para garantir renda.

“Aqui ao todo somos mais de 150 famílias. A maioria mexe com leite. Não é só o leite que estamos perdendo. Estamos perdendo carne, alimentos e tudo que precisa ficar refrigerado”, relata.

Energia caiu no sábado e problema persiste

A primeira interrupção aconteceu por volta das 22h de sábado (10). Após quase dois dias sem energia, os próprios moradores se mobilizaram para encontrar o problema na rede. Descobriram um fio rompido e comunicaram a concessionária.

“Nós fomos atrás para descobrir onde estava o fio rompido, porque ninguém tinha encontrado. Só na segunda-feira à noite a energia voltou. Mas poucas horas depois acabou de novo”, afirma.

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Leite se misturou a lama depois de ser descartado (Foto: Leitor de Primeira)

Ela conta que a instabilidade continuou nos dias seguintes, impedindo que os tanques de resfriamento voltassem a operar normalmente. “Não deu tempo nem de resfriar as coisas direito. A energia volta e logo acaba de novo”.

Moradores relatam sensação de abandono

Além dos prejuízos financeiros, os residentes afirmam enfrentar dificuldades para obter atendimento. Segundo os relatos, diversas ocorrências foram registradas junto à concessionária sem que o problema fosse solucionado de forma definitiva.

“A gente abre ocorrência, abre 10, 20 ocorrências e ninguém vem fazer o serviço. A conta chega alta para todo mundo pagar, mas quando precisamos, não temos atendimento. Às vezes fazemos vaquinha para pagar alguém por fora para resolver um problema que deveria ser obrigação da concessionária, mas nem sempre temos condições de fazer isso”, reclama a produtora.

Os moradores questionam ainda o tempo de resposta para os reparos e cobram mais atenção da concessionária, especialmente por se tratar de uma comunidade que depende diretamente da atividade leiteira.

“A gente entende que problemas podem acontecer por causa do tempo. O que não entendemos é por que outros lugares têm a energia restabelecida rapidamente e aqui sempre ficamos por último, mesmo sabendo que dependemos do leite para sobreviver”, conclui Janaína.

A reportagem entrou em contato com a Energisa para solicitar posicionamento sobre as constantes interrupções de energia no Assentamento Volta Redonda e os prejuízos relatados pelos produtores rurais. Até o momento da publicação desta matéria, a concessionária não havia retornado ao pedido.

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