Mato Grosso exportou US$ 2,1 bilhões em setembro de 2026 e ocupou a sexta posição entre os maiores exportadores do Brasil. Os produtos estaduais chegaram a 115 países, com destaque para o milho. Os dados constam no boletim de comércio exterior da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), elaborado por meio do DataHub MT com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No mês, as importações somaram US$ 233 milhões, resultando em superávit comercial próximo de US$ 1,9 bilhão.
Entre janeiro e setembro, as exportações mato-grossenses alcançaram US$ 26,5 bilhões, um avanço de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento representa aproximadamente US$ 3,8 bilhões adicionais em vendas externas. No acumulado do ano, as importações chegaram a US$ 2 bilhões, enquanto o saldo positivo da balança comercial atingiu US$ 24,5 bilhões, alta de 17,9% na comparação anual.
Milho lidera as exportações em setembro
O milho foi o principal produto vendido pelo Estado ao mercado internacional em setembro, com receitas de US$ 641,1 milhões. O valor correspondeu a 30,3% de todas as exportações estaduais no mês.
A soja ficou na segunda posição, com US$ 354 milhões, seguida pela carne bovina congelada, que movimentou US$ 257,5 milhões. O farelo e os resíduos da extração do óleo de soja somaram US$ 249,3 milhões, enquanto as vendas de algodão alcançaram US$ 163,3 milhões.
A composição das exportações mostra a importância das cadeias agrícolas e pecuárias para o comércio exterior estadual. Além da produção de grãos, os embarques de carne bovina e derivados da soja contribuem para diversificar os produtos comercializados com outros países.
China lidera as compras de Mato Grosso
A China foi o maior destino das mercadorias mato-grossenses em setembro, com compras de US$ 342,3 milhões, equivalentes a 16,2% do total exportado. Países Baixos, Egito, Irã e Espanha completaram a lista dos cinco principais mercados compradores no período.
Ao todo, 115 países receberam produtos do Estado durante o mês. A presença em diferentes mercados amplia o alcance internacional da produção local, embora a distribuição das vendas entre os destinos também seja um fator relevante para avaliar a exposição a mudanças na demanda externa.
Exportações recuam na comparação mensal e anual
Apesar do crescimento acumulado em 2026, os números de setembro registraram retração. O valor exportado caiu 12,6% em relação a agosto e ficou 6,2% abaixo do registrado em setembro de 2025. O volume embarcado foi de 4,75 milhões de toneladas, uma redução de 23,7% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Os indicadores precisam ser analisados em conjunto. O valor financeiro das exportações e a quantidade de mercadorias embarcadas são medidas diferentes, e suas variações podem não ocorrer na mesma proporção. Os dados divulgados, isoladamente, não permitem atribuir a queda mensal a uma causa específica.
Mesmo com o recuo observado em setembro, o resultado acumulado de janeiro a setembro permanece superior ao do ano anterior. O avanço de 16,9% indica que as vendas externas estaduais mantiveram crescimento no período analisado.
Insumos agrícolas concentram as importações
Nas compras internacionais, os fertilizantes nitrogenados, potássicos e fosfatados representaram 54,5% dos US$ 233 milhões importados em setembro. Os defensivos agrícolas e reguladores de crescimento das plantas responderam por outros 22,7%.
A participação desses produtos evidencia o peso dos insumos utilizados na agricultura nas importações estaduais. Esses itens são importantes para as cadeias produtivas, mas também compõem parte dos gastos realizados no exterior para sustentar a produção agropecuária.
A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, afirmou que o governo estadual busca ampliar o processamento da produção dentro de Mato Grosso. Segundo ela, a estratégia é agregar valor aos produtos, estimular a agroindustrialização e ampliar a geração de empregos e renda.
A proposta é aproveitar a capacidade exportadora para desenvolver atividades industriais associadas à produção agrícola. O processamento local pode ampliar a participação de produtos com maior valor agregado nas vendas externas, embora os dados de setembro não quantifiquem os efeitos futuros dessa estratégia sobre o emprego ou a renda.
Saldo comercial chega a US$ 24,5 bilhões
Considerando os nove primeiros meses de 2026, a diferença entre as exportações de US$ 26,5 bilhões e as importações de aproximadamente US$ 2 bilhões resultou em um superávit de US$ 24,5 bilhões. O saldo avançou 17,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
O superávit representa o valor pelo qual as vendas externas superam as compras internacionais. Esse indicador ajuda a dimensionar o desempenho comercial do Estado, mas não corresponde, por si só, ao lucro das empresas exportadoras nem ao valor total de riqueza gerada na economia local.
Para acompanhar a evolução do comércio exterior mato-grossense, é importante observar tanto o saldo acumulado quanto a composição dos produtos, os destinos das mercadorias e as oscilações mensais. A comparação entre valores e volumes também ajuda a compreender melhor as mudanças no desempenho exportador.
Os números apresentados fazem parte do levantamento da Sedec-MT, por meio do DataHub MT, com base em informações do MDIC. A redação do CenárioMT recomenda acompanhar os próximos boletins oficiais para verificar se o crescimento acumulado será mantido até o encerramento de 2026.
Reportagem baseada no boletim de comércio exterior da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT), elaborado pelo DataHub MT com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
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