Integrantes de grupo de extermínio são condenados a 71 anos de prisão por crimes em VG

Dois integrantes do grupo de extermínio conhecido como Os Mercenários foram condenados a um total de 71 anos e 9 meses de prisão por um homicídio e duas tentativas de homicídio cometidos em Mato Grosso. Os crimes ocorreram em outubro de 2015, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, e foram julgados pelo Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá.

Claudiomar Garcia de Carvalho recebeu pena de 38 anos e seis meses, enquanto Jefferson Fátimo da Silva foi condenado a 33 anos e três meses. Conforme a decisão anunciada após o julgamento de quinta-feira (8 de outubro), os dois deverão cumprir as penas inicialmente em regime fechado, mas ainda podem recorrer.

O Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade dos réus pela morte de Fábio José Brandão da Silva e pelas tentativas de homicídio contra Edivaldo Henrique Pereira Mendes e Wanderson Diego Pereira Laranja. Os jurados também reconheceram as qualificadoras de motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas e atuação de grupo de extermínio.

Como ocorreu o ataque em Várzea Grande

O crime aconteceu na madrugada de 8 de outubro de 2015, em frente a um ponto de mototáxi no bairro Cristo Rei. Três homens estavam no local quando ocupantes de um veículo que se aproximou efetuaram disparos de arma de fogo.

Fábio José Brandão da Silva morreu após ser atingido. Edivaldo Henrique Pereira Mendes também foi baleado, mas conseguiu fugir e recebeu atendimento médico. Wanderson Diego Pereira Laranja escapou sem ferimentos.

Segundo o entendimento dos jurados, o ataque foi motivado por vingança e pelo propósito de promover uma suposta “limpeza social”, com a eliminação de pessoas consideradas envolvidas com a criminalidade. O episódio integra as investigações da Operação Mercenários, que apurou a atuação de um grupo de extermínio em Várzea Grande.

Participação dos condenados

Durante o julgamento, os jurados atribuíram a Claudiomar Garcia de Carvalho a participação nos crimes por guardar e fornecer aos executores a pistola calibre 9 milímetros usada nos disparos. Jefferson Fátimo da Silva foi responsabilizado por fornecer o Fiat Uno branco utilizado para levar os executores até o local do ataque.

A sessão ocorreu no Plenário do Júri do Fórum da Capital, sob a presidência do juiz colaborador do Programa Mais Júri, Marcos Faleiros da Silva. Os trabalhos começaram às 9h e terminaram às 16h40. Uma testemunha foi ouvida durante a instrução, e depoimentos registrados anteriormente foram reproduzidos em plenário.

Os dois acusados não compareceram à sessão. De acordo com os defensores, ambos optaram por exercer o direito de permanecer em silêncio. Após os debates entre o Ministério Público e a defesa, os sete jurados reconheceram a responsabilidade dos réus pelos três crimes.

Com base na decisão do Conselho de Sentença, o juiz fixou as penas e determinou o regime inicial fechado. A condenação ainda está sujeita a recurso. O caso tramita sob o processo nº 0016001-18.2016.8.11.0002.

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