Giovana Lopes contou, nesta terça-feira (13), durante o júri do policial penal Fábio Domingos acusado de homicídio, que tentou proteger o marido, Giovani Henrique Oliveira Lopes, antes de ele ser morto com um tiro na cabeça dentro de casa, em Poxoréu (MT), onde também estava o filho do casal, de 4 anos. O crime ocorreu em 2018, após uma briga no Encontro de Violeiros.
Giovana Lopes, ouvida na condição de informante, contou que era casada com a vítima havia cinco anos. Na madrugada de 1º de maio de 2018, Giovani havia ido sozinho ao tradicional Encontro de Violeiros, em Poxoréu. Ele retornou para casa por volta das 6h, com o nariz quebrado, e contou à esposa que havia se envolvido em uma briga.
Segundo ela, Giovani foi tomar banho e, cerca de dez minutos depois, três homens chegaram à residência. Giovana afirmou ter identificado Carlos Jesus de Oliveira, que estaria usando colete, distintivo e portando uma arma, além de Fábio Domingos e um terceiro homem, identificado por ela como Patrício.
A mulher relatou que, enquanto tentava abrir a porta, dois dos homens começaram a arrombá-la. Ao ouvir o barulho, Giovani saiu do banheiro.
“Patrício xingava muito e mandava atirar. Eu entrei na frente. O Carlos me puxou, eu caí no chão e foi quando atiraram”, contou Giovana durante o julgamento.
Giovani foi atingido por um tiro na cabeça e morreu. A esposa e o filho de 4 anos estavam na residência no momento do crime.
Mãe relata pressentimento e cena encontrada após a morte
Outro depoimento que marcou o julgamento foi o de Lindaura Oliveira Souza Lopes, mãe de Giovani. Ela contou que costumava participar do Encontro de Violeiros com a família, mas, naquele ano, não permaneceu na festa porque começou a passar mal.
Segundo Lindaura, ela sentiu falta de ar, teve aumento da pressão arterial e decidiu voltar para casa. A mãe afirmou que teve um pressentimento de que algo ruim aconteceria.
Depois de tomar medicamentos, ela adormeceu e só soube que havia ocorrido algo na residência onde o filho morava quando foi chamada por um vizinho, que avisou sobre um incêndio no imóvel.
Ao chegar ao local, Lindaura encontrou uma cena que, segundo ela, jamais esqueceu. A mãe contou que viu duas pessoas carregando o corpo do filho pelo corredor e percebeu vestígios da violência.
Técnica de enfermagem, ela afirmou ter identificado massa encefálica no local onde Giovani havia sido atingido. “Quando eu vi o sangue do meu filho, eu clamei a Deus que quem tivesse feito aquela tamanha maldade Deus me revelasse”, declarou.
Emocionada, Lindaura também falou sobre a vida do filho, que descreveu como um homem de família e de bom caráter. “Meu filho não fazia nada errado, morreu sem nenhum processo. Ele se alistou no quartel e ia servir no quartel. Ele era um pai de família. Ele tinha caráter”, afirmou.
Crime começou após discussão em festa

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o crime teve início após uma colisão entre veículos no estacionamento do Encontro de Violeiros, em Poxoréu, no dia 1º de maio de 2018.
A situação teria provocado uma discussão entre Giovani e o policial penal Fábio Domingos, seguida de agressões físicas. Após a confusão, Giovani deixou a festa e retornou para casa.
Ainda conforme a acusação, os envolvidos teriam seguido a vítima até a residência, se identificado como policiais e invadido o imóvel.
O Ministério Público aponta Fábio Domingos como o responsável pelo disparo que matou Giovani. Ele e Carlos Jesus de Oliveira respondem por homicídio qualificado.
Josane Francisca Dias de Souza, esposa do policial penal, também estava prevista para ser julgada, mas pela acusação de disparo de arma de fogo.
Julgamento foi transferido para Primavera do Leste
O julgamento ocorre oito anos após o crime. Inicialmente, a sessão seria realizada em Poxoréu, mas a Justiça determinou a transferência para Primavera do Leste.
A juíza responsável pelo processo também solicitou reforço da Polícia Militar para garantir a segurança durante a sessão do Tribunal do Júri.
Até o início do julgamento, não havia previsão de quanto tempo a sessão deveria durar. A defesa dos acusados foi procurada pela reportagem, mas não havia apresentado resposta.
Os réus ainda não foram condenados, e a responsabilidade criminal de cada um será analisada pelo Conselho de Sentença.
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