Mato Grosso registrou 12.415 casos prováveis de dengue e 14 mortes pela doença em 2026, além de um óbito ainda sob investigação. Os dados são do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde, atualizado na sexta-feira (9), com informações contabilizadas até 3 de outubro.
Apesar das mortes, o número de casos apresenta uma redução expressiva em relação ao ano passado. Nas 21 primeiras semanas epidemiológicas, entre janeiro e maio, o Estado acumulou 9.010 casos prováveis, contra 27.351 no mesmo intervalo de 2025, uma queda de 67%.
A taxa de incidência neste ano chegou a 319,3 casos por 100 mil habitantes. A letalidade entre todos os casos prováveis é de 0,11%, mas alcança 3,23% entre pacientes que desenvolveram formas graves da doença, indicando maior risco nesse grupo.
Do total de notificações prováveis, 10.793 foram confirmadas, o equivalente a 86,9%. Desse conjunto, 5.941 tiveram diagnóstico confirmado por exames laboratoriais e 4.853 foram reconhecidos por critério clínico-epidemiológico, que considera os sintomas e o contexto de transmissão local. Outros 1.622 registros, correspondentes a 13,1%, permaneciam sem confirmação.
Casos recuam, mas período chuvoso exige atenção
A evolução semanal mostra que 2026 permaneceu abaixo dos níveis registrados nos dois anos anteriores em quase todo o período analisado. O maior volume deste ano ocorreu na semana epidemiológica 11, em meados de março, quando foram contabilizados 544 casos prováveis.
O contraste é significativo diante dos picos anteriores. Em 2025, Mato Grosso chegou a 2.160 casos em uma única semana, em janeiro. Em 2024, o maior registro semanal foi de 2.318 casos, no início de maio.
Desde junho, as notificações semanais de 2026 ficaram abaixo de 310 casos e apresentaram queda durante o período seco. A partir de agosto, porém, a contagem passou a se aproximar, na maior parte das semanas, dos patamares observados em 2024 e 2025.
O perfil dos pacientes aponta uma distribuição semelhante entre os sexos: mulheres representam 51% dos casos e homens, 49%. Entre as categorias de raça ou cor informadas, pessoas pardas correspondem a 63,3% dos registros, seguidas por brancas (26,9%), pretas (4,1%), amarelas (1,3%) e indígenas (1,1%). Em 3,4% das notificações, esse dado não foi preenchido.
A faixa etária de 20 a 29 anos concentra a maior incidência entre homens e mulheres. Os dados indicam, portanto, que adultos jovens estão entre os grupos com maior ocorrência da doença no Estado.
Os números ainda podem sofrer alterações devido ao atraso no lançamento de notificações recentes. A morte que permanece em investigação também depende de apuração para que seja possível confirmar ou descartar a relação com a dengue.
O início do período chuvoso em Mato Grosso, previsto a partir de outubro, é outro fator de atenção. A chuva favorece a reprodução do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença, e costuma contribuir para o aumento dos registros no fim do ano.
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