Juridicast discute caminhos para a inovação no setor público e aponta desafios na integração de inteligência artificial

Os caminhos para ampliar a inovação no Judiciário foram discutidos no novo episódio do Juridicast, programa da Rádio TJ. O especialista em inovação no setor público Álvaro Gregório falou à jornalista Elaine Coimbra sobre os avanços e desafios dos laboratórios de inovação no Judiciário brasileiro e no Mato Grosso.

Segundo Gregório, os tribunais passaram, nos últimos dez anos, por um processo de estruturação desses espaços, com mudanças na cultura organizacional e investimentos em infraestrutura. Para ele, o próximo passo envolve integrar novas tecnologias às estratégias institucionais.

Inteligência artificial exige política institucional

Um dos principais pontos abordados foi o uso da inteligência artificial. O especialista avalia que muitas iniciativas ainda surgem fora dos espaços formais de inovação, o que pode limitar a capacidade das instituições de transformar essas experiências em políticas e projetos estruturados.

Gregório defende que a tecnologia seja incorporada aos laboratórios para que testes, projetos e mudanças possam ocorrer com maior organização. Nesse cenário, políticas institucionais de inovação passam a ter papel central.

Liderança e orçamento são essenciais

O especialista também destacou a importância de lideranças alinhadas ao planejamento estratégico e de recursos compatíveis com os objetivos de cada laboratório. Esses espaços, segundo ele, ajudam na capacitação, criação de projetos, formação de parcerias e governança da inovação.

A necessidade de governança ganha ainda mais peso diante da velocidade das mudanças tecnológicas. Para Gregório, os laboratórios podem funcionar como estruturas capazes de aproximar a inovação da rotina das instituições.

Experimentação e ambiente seguro

Entre as características apontadas para um laboratório de inovação estão a experimentação, a segurança para apresentar ideias e a horizontalidade nas relações.

  • Experimentação: permite testar soluções antes de sua aplicação em maior escala.
  • Segurança: cria um ambiente em que ideias podem ser apresentadas sem receio, mesmo quando ainda parecem inviáveis.
  • Horizontalidade: aproxima magistrados, servidores e equipes técnicas na construção de soluções.

Essa dinâmica, na visão do especialista, favorece a participação de diferentes profissionais e amplia as possibilidades de encontrar respostas para problemas complexos.

Cidadão deve estar no centro da inovação

Outro ponto destacado no Juridicast foi a necessidade de colocar o cidadão no centro dos projetos. Para Gregório, inovar no serviço público não significa apenas adotar ferramentas novas, mas entregar mais valor para quem utiliza os serviços.

Essa abordagem exige empatia e escuta do cidadão. Com a expansão de ferramentas capazes de realizar tarefas cognitivas, o trabalho humano tende a se concentrar ainda mais na compreensão do contexto, das necessidades e das oportunidades de melhoria.

O episódio completo do Juridicast está disponível no canal do Poder Judiciário de Mato Grosso no YouTube. O programa aborda temas ligados à Justiça, gestão pública e transformação institucional.

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