Muito grão para pouco espaço: armazenagem insuficiente preocupa produtores

A cada safra, Mato Grosso do Sul amplia sua produção de grãos, mas a capacidade de armazenagem não acompanha o mesmo ritmo. Cenário que afeta diretamente a competitividade do agronegócio e se tornou um fator determinante para muitos produtores na hora de comercializar a produção.

Capacidade de armazenagem em MS atende apenas 58,8% do recomendado para uma safra 26/27. (Foto: Aprosoja/MS)
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Dados do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, mostram que o estado deve colher 27,9 milhões de toneladas de soja e milho na safra 2025/2026.

No entanto, a estrutura disponível para armazenar a produção de grãos está longe do ideal. Um levantamento da entidade aponta déficit de aproximadamente 12 milhões de toneladas na capacidade de armazenagem.

Segundo a recomendação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Mato Grosso do Sul precisaria contar com 29,22 milhões de toneladas de capacidade estática de armazenamento. No entanto, conta com 17,19 milhões de toneladas, o equivalente a apenas 58,8% do volume considerado adequado.

Falta de espaço impacta decisões

A deficiência obriga muitos produtores a escoar rapidamente a produção logo após a colheita, mesmo em períodos de preços menos atrativos.

Sem espaço para armazenar os grãos na propriedade ou em estruturas próximas, agricultores ficam mais dependentes da disponibilidade de armazéns e da logística de transporte.

Grãos de milho - exportações
Déficit de 12 milhões de toneladas expõe gargalo da armazenagem de grãos em MS. (Foto: Reprodução)

Para o setor, a armazenagem não é apenas uma questão de infraestrutura, mas também de estratégia. Ter onde guardar a produção permite ao produtor aguardar melhores condições de mercado antes de vender os grãos.

Déficit atinge quase todo o MS

O cenário é ainda mais preocupante porque o problema atinge praticamente todo o Mato Grosso do Sul. Dos 78 municípios produtores de grãos, 71 apresentam déficit de armazenagem.

Entre os principais polos agrícolas, Ponta Porã e Maracaju concentram juntos cerca de 2,43 milhões de toneladas de déficit. Apesar da forte produção, a estrutura disponível não acompanha a demanda crescente por espaço para estocagem.

Levantamento mostra que 71 municípios produtores enfrentam déficit de armazenagem. (Foto; Reprodução)
Levantamento mostra que 71 municípios produtores enfrentam déficit de armazenagem. (Foto; Reprodução)

Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a situação revela um déficit estrutural que pode comprometer a competitividade do agronegócio sul-mato-grossense nos próximos anos.

Estruturas concentradas em poucas regiões

Atualmente, Mato Grosso do Sul possui 17,19 milhões de toneladas de capacidade estática instalada, distribuídas em 799 complexos armazenadores presentes em 65 municípios.

Dourados lidera o ranking estadual, com aproximadamente 2,42 milhões de toneladas de capacidade. O município está entre os poucos que apresentam saldo positivo entre a necessidade de armazenagem e a estrutura disponível.

Também estão nessa condição:

  • Bataguassu
  • Batayporã
  • Porto Murtinho
  • Sidrolândia
  • Brasilândia
  • Três Lagoas
Falta de armazéns obriga produtores a vender parte da safra rapidamente e amplia dependência da logística de transporte. (Foto: Wenderson Araujo/CNA)
Falta de armazéns obriga produtores a vender parte da safra rapidamente e amplia dependência da logística de transporte. (Foto: Wenderson Araujo/CNA)

Investimentos são apontados como solução

Especialistas defendem que a ampliação da capacidade de armazenagem será fundamental para sustentar o crescimento da produção agrícola de Mato Grosos do Sul

Além de reduzir custos logísticos e evitar gargalos durante a colheita, novos investimentos em silos e armazéns podem garantir mais autonomia aos produtores, permitindo melhor planejamento da comercialização e maior rentabilidade das lavouras.

Acesse o levantamento completo aqui.

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