Mato Grosso está entre os estados com mais conflitos pela água registrados no Brasil no primeiro semestre de 2026. Foram 10 ocorrências entre janeiro e junho, número que coloca o estado atrás apenas do Pará, com 16 casos, e de Minas Gerais, com 11, e empatado com o Amazonas.
O dado chama a atenção porque, em apenas seis meses, Mato Grosso já superou os oito conflitos pela água registrados durante todo o ano de 2025. No ano passado, essas ocorrências afetaram diretamente 1.491 famílias no estado, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT).
No levantamento referente a 2025, a CPT apontou que as disputas por água em Mato Grosso envolviam principalmente problemas relacionados ao acesso e uso dos recursos hídricos em áreas impactadas pelo avanço agrícola, barramentos, contaminação da água e restrições de acesso enfrentadas por comunidades tradicionais e pequenos produtores.
Conflitos pela água mais que dobram no país
O crescimento também ocorreu no cenário nacional. O número de conflitos pela água passou de 47 no primeiro semestre de 2025 para 100 no mesmo período deste ano, uma alta de aproximadamente 113%. Ocorrências foram identificadas em 20 estados.
No total, a CPT contabilizou 841 conflitos no campo no Brasil entre janeiro e junho, contra 798 no mesmo período do ano passado, crescimento de 5,4%. A maior parte está relacionada à terra, com 711 registros. Outros 100 correspondem a conflitos pela água e 30 a ocorrências de trabalho escravo rural.

Entre os conflitos por terra, a contaminação por agrotóxicos foi a forma de violência mais frequente e passou de 98 para 169 ocorrências. Também cresceram os registros de invasão de territórios, de 96 para 109, e de desmatamento ilegal, de 67 para 107.
Assassinatos caem, mas violência aumenta
Apesar do aumento dos conflitos, o número de assassinatos no campo caiu. Foram seis mortes no primeiro semestre de 2026, contra 27 no mesmo período de 2025, redução de cerca de 78%.
Por outro lado, os casos de violência contra pessoas aumentaram de 418 para 588, enquanto o número de vítimas passou de 308 para 497. Entre os grupos mais atingidos estão povos indígenas, trabalhadores sem-terra, posseiros, seringueiros e quilombolas.
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