Foragido é morto pelo Choque enquanto preparava arma para homicídio

Um homem de 24 anos, identificado como Guilherme Souza Oliva, conhecido pelo apelido de “Sgaz”, morreu após entrar em confronto com policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar na noite de segunda-feira (31), no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. Segundo a polícia, ele estava foragido do sistema prisional e foi encontrado em um imóvel abandonado onde, conforme denúncia, criminosos se reuniriam para planejar um homicídio.

Arma turca apreendida com o suspeito em Campo Grande (Foto: Batalhão de Choque)

De acordo com o comandante do Batalhão de Choque, major Cleyton da Silva Santos, a ocorrência é resultado de uma investigação iniciada após o duplo homicídio registrado na sexta-feira (28), na Rua Lagoa Bonita, também no Aero Rancho.

Na ocasião, Bruno Pereira Barboza, conhecido como “12”, e Wellington, de 17 anos, estavam em frente a uma residência quando foram surpreendidos por três homens. Segundo a polícia, um dos criminosos utilizou uma arma longa, calibre 12, e efetuou os disparos. Bruno morreu no local. O adolescente também foi atingido e não resistiu.

A polícia passou a investigar o caso e levantar informações sobre os envolvidos. Na segunda-feira, uma denúncia anônima informou que os mesmos autores estariam novamente reunidos, desta vez em um imóvel abandonado, para organizar um novo crime.

“Ainda não sabemos quem seria a vítima, mas tínhamos essa informação inicial de que eles iriam se reunir novamente”, explicou o comandante.

Confronto

Diante da informação, equipes do Choque foram até o endereço. No interior da casa, os policiais encontraram Guilherme. Conforme o comandante, ele estava com uma mala e começava a retirar uma arma longa de dentro dela.

Os policiais deram ordem para que ele parasse, mas Guilherme sacou um revólver calibre .38 e apontou a arma para os militares.

Os policiais reagiram, Guilherme foi atingido, desarmado e socorrido pela própria equipe até o Hospital Regional de Campo Grande, mas ele não resistiu aos ferimentos.

Segundo o major, ele estava sozinho no imóvel. A suspeita é de que tenha chegado antes dos demais envolvidos para organizar as coisas.

Arma pode ter sido usada em duplo homicídio

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Capuz encontrado com o suspeito e arma que estava com ele (Foto: Batalhão de Choque)

A arma longa apreendida no local, segundo a PM, apresenta características semelhantes à utilizada no duplo homicídio de 28 de agosto.

A arma é importada, de fabricação turca, e considerada incomum no país. A suspeita é que o armamento tenha entrado ilegalmente no Brasil pela fronteira com Bolívia ou Paraguai.

Durante a perícia, conforme relatado pela polícia, a arma ejetou um cartucho calibre 12 que já havia sido deflagrado. O material, aparentemente, é compatível com os cartuchos encontrados no local onde Bruno e Wellington foram mortos.

A confirmação se a arma é a mesma usada no crime, entretanto, ainda depende da perícia técnica.

Motivação da execução

Segundo o comandante do Choque, a principal linha levantada até o momento é de que o duplo homicídio tenha sido motivado por uma disputa territorial relacionada ao tráfico de drogas.

A polícia afirma que Bruno e Guilherme eram conhecidos pelo envolvimento com o tráfico e que, anteriormente, os dois teriam trabalhado juntos, mas um desacordo comercial teria provocado o rompimento e desencadeado a disputa.

“Até determinado momento, eles trabalhavam juntos, eram comparsas. Só que acabaram tendo um desacordo comercial. Um acabou ‘passando a perna’ no outro e isso gerou essa instabilidade e o cometimento do crime”.

Comandante do Choque

Apesar da disputa pelo território do tráfico, a polícia descartou, até o momento, uma guerra entre facções.

Outros envolvidos

A polícia acredita que Guilherme não seria o único integrante do grupo que planejava o novo crime.

Segundo o comandante, as investigações apontam que, pelo menos, quatro criminosos estariam envolvidos. Os demais suspeitos ainda são procurados.

Guilherme estava foragido do sistema prisional desde 9 de maio. Conforme o comandante, ele havia sido condenado por roubo com concurso de pessoas, recebeu progressão para um regime mais brando, mas não cumpriu as condições impostas pela Justiça e não retornou para continuar cumprindo a pena.

Apesar de ter 24 anos, segundo a polícia, ele acumulava mais de 29 registros de ocorrência. Os registros são de roubo majorado pelo concurso de pessoas, porte ilegal de arma de fogo, furtos, ameaças, associação criminosa, corrupção de menor, tráfico de drogas e receptação.

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